PF deflagra Operação Veritá contra desvio de R 100 milhões em obra na Bahia

PF cumpre 12 mandados de busca e dois de prisão temporária em Salvador e outras cidades contra esquema que superfaturou contratos entre 2013 e 2016.

Bruno Barino, country manager da BlackRock Brasil

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta – feira (18), a Operação Veritá, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos na construção do Centro de Convenções de Salvador. Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários e a um ex – secretário estadual. A ação ocorre em Salvador, na Bahia, e também em outras cidades. Ao todo, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ordens foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pedido da Procuradoria – Geral da República (PGR). Investigação aponta superfaturamento em obras As suspeitas recaem sobre contratos firmados entre 2013 e 2016 para a construção do Centro de Convenções. Segundo a PF, o esquema envolvia pagamento de propina em troca de contratos superfaturados. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R100 milhões. Os investigadores apontam que o grupo atuava com a participação de agentes públicos e empresários do setor de construção civil. A organização criminosa teria utilizado empresas de fachada para movimentar os valores ilícitos. As transferências eram feitas em espécie ou por meio de contas no exterior. Entre os alvos da operação está um ex – secretário de Infraestrutura do estado da Bahia. Ele é suspeito de ter recebido vantagens indevidas para favorecer determinadas empresas nas licitações. O nome dele não foi divulgado oficialmente até o momento. Cumprimento de mandados e apreensões Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam documentos, computadores, celulares e valores em espécie. O material será analisado pela perícia para aprofundar as investigações. A PF também solicitou o bloqueio de bens dos investigados, que somam cerca de R 50 milhões. As defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram publicamente. O STJ determinou que o inquérito tramite sob sigilo, mas a operação foi divulgada pela instituição. A PGR afirma que as provas colhidas indicam a existência de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro. A operação recebeu o nome de Veritá, que remete à busca pela verdade nos fatos investigados. Os presos foram encaminhados para a sede da PF em Salvador, onde passarão por audiência de custódia. A investigação deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas.