Estatais federais apresentaram um déficit de R$ 4,2 bilhões no primeiro bimestre de 2026, um resultado recorde para o período, que remonta a 2002. O saldo negativo teve um aumento expressivo de 320,4% em comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados divulgados nesta terça-feira, 31 de março de 2026, pelo Banco Central em seu relatório “Estatísticas Fiscais” (PDF – 347 kB).
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O levantamento não considerou as estatais financeiras, como o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal.
As estatais estaduais também registraram um resultado negativo significativo. O déficit no primeiro bimestre foi de R$ 1,3 bilhão, em contraste com um superávit de R$ 681 milhões registrado no mesmo período de 2025. O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), responsável por coordenar as gestões das estatais, utiliza esses dados para avaliar a saúde financeira das empresas. A equipe técnica do governo (PT) ressaltou que os dados divulgados pelo Banco Central não fornecem uma análise completa da situação financeira, devido à falta de detalhes sobre receitas, custos, ativos, passivos e lucro líquido.
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Apesar do cenário geral de prejuízos, alguns bancos públicos – Caixa, Banco do Brasil e BNDES – e a Petrobras registraram um lucro de R$ 137,2 bilhões. Quando somados, esses resultados positivos representaram um ganho. Ao excluir os resultados desses bancos e da Petrobras, as estatais federais apresentaram um lucro líquido de R$ 5,2 bilhões. Este indicador é importante para medir o déficit das estatais sob a perspectiva do impacto nas contas públicas e na política fiscal do país.
Um caso emblemático é o dos Correios, que anunciaram um plano de recuperação no final de 2025. O plano prevê cortes de gastos de R$ 4,2 bilhões, incluindo a demissão de 15.000 funcionários e o fechamento de 1.000 unidades de atendimento, além de um aumento de receita de R$ 3,2 bilhões.
Em janeiro a setembro de 2025, os Correios registraram um prejuízo de R$ 1,8 bilhão. A necessidade de financiamento das estatais pode levar o Tesouro Nacional a cobrir a lacuna com mais dívida ou recursos provenientes de impostos.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
