Queda nos Ações da Petrobras Reflete Preocupações com Vazamento na Margem Equatorial
As ações preferenciais da Petrobras sofreram uma queda de 2% na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, após a estatal reportar um vazamento de fluidos durante a perfuração do poço Morpho, localizado na Margem Equatorial do Brasil, a cerca de 175 km da costa do Amapá.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As ações estavam cotadas em R$ 30,26 às 12h, conforme dados da plataforma Investing.com. A notícia do incidente, que ocorreu por volta das 13h, provocou uma queda nas cotações até R$ 29,63 no fechamento do mercado.
Análise do Mercado e Impacto nas Ações
A redução do preço das ações está associada ao receio gerado pela notícia do vazamento, ainda em fase de prospecção de petróleo na Margem Equatorial, segundo o sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). As ações PETR4, que são preferenciais da Petrobras, são frequentemente utilizadas como referência do mercado devido à sua maior liquidez e volume de negociação, reagindo de forma mais rápida e intensa a notícias, especialmente aquelas envolvendo fatos polêmicos com a estatal.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Investidores institucionais e estrangeiros operam predominantemente PETR4, tornando-a um termômetro sensível ao sentimento do mercado em relação à Petrobras.
Operações na Margem Equatorial e Fase de Exploração
A Petrobras informou que houve uma perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares do poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, na região da Foz do Amazonas. A estatal afirmou que o vazamento foi “imediatamente contido e isolado” e que as linhas foram trazidas à superfície para avaliação e reparo.
LEIA TAMBÉM!
A operação está paralisada por até 15 dias. O fluido de perfuração utilizado é biodegradável e dentro dos limites de toxicidade permitidos, o que, segundo a empresa, não causa danos ao meio ambiente. A Petrobras notificou os órgãos reguladores competentes e adotou todas as medidas de controle.
Envolvimento do Ibama e Monitoramento Ambiental
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que tomou conhecimento do vazamento e está apurando as causas junto às suas áreas competentes. A perfuração que recebeu licença ambiental do Ibama deve durar cerca de 5 meses, segundo a Petrobras.
A Margem Equatorial é uma região estratégica e sensível do ponto de vista ambiental, onde qualquer incidente, mesmo de fluidos auxiliares, pode gerar questionamentos públicos e regulatórios.
Fases da Exploração e Potencial da Região
A Petrobras iniciou em outubro de 2025 a exploração na Margem Equatorial, com autorização do Ibama. Se os resultados do poço forem positivos e houver viabilidade técnica e econômico-financeira, a empresa poderá seguir para a fase de produção.
Essa região é considerada uma nova fronteira exploratória, com potencial ainda pouco conhecido, mas que vem despertando interesse devido às características geológicas semelhantes às de grandes descobertas em outras partes do mundo. Os contratos de exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil são divididos em duas etapas: exploração e produção.
Durante a fase de exploração, a empresa realiza estudos geológicos e geofísicos para identificar a presença de hidrocarbonetos. Os dados coletados são entregues à ANP, contribuindo para ampliar o conhecimento técnico sobre as bacias sedimentares brasileiras.
Produção e Devolução da Área
A fase de produção só começa quando há petróleo ou gás em quantidade suficiente para viabilizar a extração e a comercialização. Após a declaração de comercialidade, o tempo necessário para implementar a infraestrutura e iniciar a extração pode variar, geralmente entre 3 e 5 anos.
A Petrobras deve elaborar um plano detalhado de desenvolvimento do campo, incluindo a definição da infraestrutura necessária. Caso não seja encontrada uma acumulação de petróleo ou gás considerada comercialmente viável, a Petrobras poderá devolver a área explorada à União.
Esse processo está previsto em contrato. Mesmo assim, o investimento não é considerado totalmente perdido, pois os estudos realizados geram dados que fortalecem o conhecimento sobre o subsolo brasileiro e podem atrair novos investimentos em futuras rodadas de licitação.
