
Viver em um país tropical como o Brasil pode fazer com que muitos não compreendam o custo de aquecer uma casa durante o inverno, especialmente para os inquilinos. Nos Estados Unidos, mais de 24 milhões de pessoas relatam que, em algumas situações, chegam a abrir mão de refeições para evitar o frio intenso.
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Em busca de uma solução para esse problema antigo, pesquisadores da University of Massachusetts Amherst desenvolveram painéis removíveis de tecido que prometem reduzir o consumo de aquecimento nas residências.
A pesquisa combina conhecimentos de química, arquitetura e engenharia civil em uma proposta intencionalmente simples. A professora de arquitetura paisagística Carolina Aragón, uma das autoras principais do estudo, explica que a simplicidade é a chave para a eficácia da solução. “Quando você está com frio, você veste um suéter; então começamos a pensar: o que você faria se fosse um prédio?”, afirma.
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A pesquisa focou em criar uma alternativa acessível, evitando reformas estruturais caras que não são viáveis para inquilinos. Assim, os autores desenvolveram revestimentos leves que podem ser instalados nas fachadas externas das edificações. Esses painéis não apenas capturam a radiação solar e a transformam em calor, mas também atuam como isolantes, minimizando a perda de calor do interior da construção.
Os painéis operam em duas frentes: capturam a radiação solar e a convertem em calor, além de reduzir a transferência de calor do interior para o exterior. A inovação não está apenas no tecido, mas em um corante fototérmico especial criado pela professora de química Trisha Andrew.
Este corante, desenvolvido no Wearable Electronics Lab, é um polímero orgânico funcional que absorve luz solar em um amplo espectro e a converte em calor de forma eficiente.
O corante pode ser aplicado em diversos substratos têxteis, e a equipe decidiu testá-lo em tecido de guarda-chuva, um material resistente e acessível. A escolha foi estratégica, pois a tecnologia precisava ser viável economicamente. “Não precisa ser em um tecido caro”, destaca Andrew.
As simulações computacionais analisaram as propriedades dos painéis, mostrando que o componente isolante diminui a perda de calor, criando uma barreira entre o ambiente aquecido e o frio externo.
Além da eficiência técnica, os painéis podem ser decorados de várias maneiras, permitindo que se integrem à estética de diferentes regiões e culturas. “É importante acertar na parte arquitetônica e estética, além da científica”, ressalta Aragón.
Enquanto reformas tradicionais podem resultar em uma redução de apenas 2% nos custos de energia, as simulações indicam que os novos painéis podem manter o interior de uma residência até 4,5°C mais quente durante o dia. Essa redução no consumo energético é promissora, embora os dados sejam provenientes de modelos computacionais e não de testes físicos.
A equipe reconhece a necessidade de protótipos em tamanho real para validar os resultados fora do ambiente de laboratório.
Além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas e a diminuição das contas de aquecimento, a proposta também aborda um problema social significativo: o “despejo por reforma”, onde proprietários aumentam o aluguel após reformas.
Por serem removíveis e instaláveis pelo próprio morador, os painéis não requerem obras, evitando assim que os proprietários tenham motivos para reajustar os aluguéis. A equipe imagina um cenário em que os inquilinos possam instalar os rolos de tecido adquiridos em lojas de materiais de construção de forma simples e rápida, sem a necessidade de mão de obra especializada.
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Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.