Pescadores de Maquiné enfrentam ameaça com novos condomínios na região litorânea

Maquiné: Pescadores lutam contra novos condomínios que ameaçam tradição! 🌊 Descubra a batalha pela pesca artesanal e o futuro da Barra do João Pedro. #Maquiné

Resistência à Margem do Mar: A Luta pela Preservação da Pesca Artesanal em Maquiné

A região do litoral norte do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de transformação, marcado pela rápida expansão de condomínios fechados e empreendimentos de alto padrão. Em meio a essa dinâmica, comunidades tradicionais, como a da Barra do João Pedro, em Maquiné, buscam manter vivas suas atividades econômicas, sociais e ancestrais.

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Essa luta é crucial para a preservação de um modo de vida que se entrelaça com a história e o ecossistema local.

De acordo com relatos de moradores, que foram coletados pelo Movimento Unificado em Defesa do Litoral Norte (MOV) em abril de 2026, a Barra do João Pedro abriga 18 famílias de pescadores, um número que pode variar conforme as estações do ano. Essas famílias dependem da pesca de espécies como bagre, violinha e tainha, utilizando técnicas transmitidas de geração em geração.

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O estudo etnoarqueológico realizado em 2012 pelo pesquisador Lucas Antonio da Silva revela que a pesca artesanal sempre foi a base da subsistência da comunidade, uma atividade econômica central na região. Os pescadores utilizam “pesqueiros”, áreas estratégicas definidas pelas condições ambientais e o comportamento dos peixes, e empregam barracos e galpões de pesca para otimizar suas atividades.

Esses espaços, construídos e organizados pelos pescadores, representam mais do que simples estruturas; são portadores de histórias, experiências e relações familiares que sustentam a cultura e a economia local. No entanto, essa rica tradição está sob ameaça.

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Dois novos condomínios, o Mônaco e o Bravia Marina, juntamente com outros empreendimentos em fase de licenciamento, planejam a construção na área, colocando em risco o futuro da pesca artesanal. A preocupação é que a expansão imobiliária, impulsionada por um discurso de “benefícios” para o município, como a chegada de novas infraestruturas e investimentos, na verdade, pode intensificar a desigualdade social e desviar recursos de áreas essenciais.

A Urgência da Defesa do Patrimônio Cultural e Ambiental

A situação da Barra do João Pedro ecoa um problema mais amplo do litoral norte do Rio Grande do Sul, onde a especulação imobiliária e a valorização de atividades de lazer da classe dominante ameaçam economias populares como a pesca cooperativa e artesanal.

A pesca cooperativa, reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural Nacional pelo IPHAN, também enfrenta riscos com a lógica de desenvolvimento econômico adotada em algumas prefeituras. A pesca artesanal, em particular, está em perigo constante, com a construção de condomínios e a perturbação do fluxo das águas do rio Tramandaí, que podem comprometer a atividade pesqueira.

A crise climática, com eventos extremos como as fortes chuvas de 2023 e 2024, agrava ainda mais a situação, expondo comunidades vulneráveis e evidenciando a importância de proteger áreas de escoamento de águas, como o trecho do rio Tramandaí em questão.

A falta de preparo de cidades como Capão da Canoa e Xangri-lá para receber altas cargas pluviais demonstra a necessidade de repensar o modelo de desenvolvimento econômico e priorizar a segurança e a sustentabilidade.

Wesley Diogo de Assis e Tiago Dominguez, coordenadores do MOV, alertam para o risco de “epistemídio”, ou seja, o apagamento sistemático dos conhecimentos tradicionais e das práticas sustentáveis em favor de modelos econômicos especulativos. A luta pela preservação da pesca artesanal e da pesca cooperativa, além de proteger o ecossistema local, é uma defesa do patrimônio cultural e ambiental da região.