Ex-Diretor do Banco Central Decide se Comparece à CPI do Crime Organizado
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, concedeu permissão para que o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, decida se comparece ou não à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
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A decisão foi divulgada nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, conforme documento em PDF (162 kB) disponível. A medida flexibiliza o processo, retirando a obrigatoriedade de comparecimento.
Facultativo ao Depoimento e Garantias Legais
Agora, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza tem a liberdade de optar por comparecer à CPI ou não, respeitando sua vontade. O ministro também assegurou ao investigado o direito ao silêncio e à proteção contra o compromisso de dizer a verdade.
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Além disso, a segurança do ex-diretor será garantida pela Polícia Legislativa do Senado.
Paulo Sérgio Neves de Souza, que utilizava tornozeleira eletrônica, é alvo de investigações por suspeita de enriquecimento ilícito no inquérito que apura fraudes financeiras do Banco Master. A Polícia Federal ficará responsável pelo deslocamento do investigado até o Senado.
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Contexto da Intimação e Solicitação da CPI
A CPI havia autorizado a convocação do ex-diretor em 11 de março. Segundo o despacho do ministro Mendonça, a defesa informou à CPI a impossibilidade de comparecimento devido a “motivos alheios à sua vontade”. A Comissão então solicitou ao ministro autorização para que o investigado pudesse prestar depoimento nesta quarta-feira ou em outra data designada, considerando sua localização em Minas Gerais.
Investigações e Relações com Vorcaro
Paulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto de Supervisão Bancária do Banco Central e mantinha contato próximo com Daniel Bueno Vorcaro, fundador do Banco Master. Ele foi citado na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março de 2026.
Documentos indicam que Neves e Vorcaro trocavam mensagens, com o funcionário do Banco Central fornecendo orientações em ofícios e até em reuniões com o presidente da autoridade monetária.
O ministro Mendonça ressaltou que, mesmo sendo servidor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza atuava como “empregado/consultor” de Vorcaro em assuntos de interesse privado. Belline Santana, chefe-adjunta do Desup (Departamento de Supervisão Bancária), também foi alvo da investigação, conforme determinado pelo Supremo.
Segundo o Banco Central, indícios de percepção de vantagens indevidas por dois integrantes do quadro permanente foram identificados durante a revisão interna de processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. A Polícia Federal apura que o ex-diretor prestava uma “consultoria informal” para Vorcaro sobre temas relacionados ao Banco Master, com suspeita de recebimento de valores através de estruturas empresariais para ocultar pagamentos.
