
O Paquistão se encontra sob intensa pressão para realizar uma tarefa que muitos diplomatas consideram quase impossível: mediar um acordo de paz entre o Irã e os Estados Unidos, visando estabilizar a economia global, enquanto protege nações já afetadas por conflitos decorrentes de uma trégua instável.
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O chefe do Exército paquistanês, Marechal de Campo Asim Munir, e o primeiro-ministro Shehbaz Sharif têm se dedicado a negociações diplomáticas nas últimas semanas, com o objetivo de evitar uma guerra que poderia intensificar a instabilidade na fronteira oeste com o Irã e o Afeganistão, onde ocorreram recentes confrontos armados.
Na quinta-feira (9), as autoridades isolaram partes da capital, Islamabad, em preparação para a chegada de representantes iranianos e da delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, na sexta-feira (10). Após reunir Washington e Teerã para negociações no sábado (11), as autoridades paquistanesas buscarão conduzir as conversas em direção a um acordo duradouro, conforme afirmam analistas.
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Kamran Bokhari, pesquisador sênior do Conselho de Política do Oriente Médio, alertou que um cenário caótico no Irã, especialmente nas províncias de Sistão e Baluchistão, poderia resultar em sérias consequências para o Paquistão, que já enfrenta uma fronteira ocidental instável.
A atuação do Paquistão nesse contexto representa uma mudança significativa, considerando que o país estava à margem da diplomacia até um ano atrás. O êxito nas negociações de sábado poderia consolidar sua nova posição de destaque, enquanto um fracasso poderia prejudicar essa imagem.
Bokhari destacou que o Irã reconhece a aliança do Paquistão com os EUA, Arábia Saudita, Turquia e China, o que torna a colaboração com o país essencial para o diálogo.
As autoridades de Islamabad intensificaram a segurança nas ruas ao redor do Hotel Serena, onde as negociações devem ocorrer, com o hotel sendo esvaziado e colocado sob controle governamental. O acesso à área foi restrito, com a instalação de postos de controle e patrulhas adicionais.
Essas medidas refletem a vulnerabilidade do Paquistão, que teme que qualquer distúrbio possa comprometer a delicada abertura diplomática em curso.
Embora os ataques em grandes centros urbanos do Paquistão tenham diminuído, a militância nas regiões fronteiriças com o Afeganistão aumentou desde que o Talibã reassumiu o poder em 2021. Um ataque suicida em Islamabad, ocorrido em fevereiro, elevou as preocupações de segurança e levou o Paquistão a realizar ataques aéreos contra o Afeganistão, resultando em semanas de combates com seu antigo aliado.
Bokhari ressaltou que o Paquistão enfrenta um alto número de ocorrências terroristas, o que evidencia as ameaças persistentes.
Horas antes do anúncio de um cessar-fogo de duas semanas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (7), as tentativas de mediação para encerrar o conflito pareciam ter fracassado. Contudo, a intervenção do Paquistão trouxe o Irã de volta à mesa de negociações.
Bokhari observou que o papel do Paquistão evoluiu, passando de um mero transmissor de mensagens para um participante ativo nas negociações.
Durante as conversas, Islamabad deverá levantar as queixas das nações do Golfo aliadas aos EUA que foram alvo de ataques iranianos. O Irã, por sua vez, tentará pressionar os EUA a estender o cessar-fogo, enquanto busca apoio de Sharif para interromper os ataques israelenses.
O Irã afirmou estar prestes a responder a ataques contra o Líbano, quando o Paquistão interveio. Apesar de agora ter a credibilidade necessária para mediar, o Paquistão pode não ter poder suficiente para garantir a reabertura da rota marítima vital do Estreito de Ormuz, que o mundo aguarda ansiosamente.
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Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.