Papa Leão XIV visitará Lampedusa em 4 de julho para celebrar 250 anos da independência dos EUA
A visita do Papa Leão XIV a Lampedusa destacará a crise migratória e a importância da acolhida, em um momento simbólico para os Estados Unidos.
O papa Leão XIV vai celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos com uma visita à ilha de Lampedusa, no sul da Itália. Durante essa passagem, ele abordará a situação dos migrantes, um tema que tem gerado tensões entre a Santa Sé e o governo Trump.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O evento ocorrerá no dia 4 de julho e promete destacar as dificuldades enfrentadas por aqueles que buscam refúgio.
Na última semana, o vice – presidente JD Vance, que é católico, expressou sua preocupação em relação à posição do Vaticano sobre imigração. Para ele, a mensagem do papa em um dia tão simbólico para os EUA é relevante, especialmente considerando que Lampedusa é um importante ponto de entrada na Europa para migrantes que atravessam o Mediterrâneo, muitos dos quais arriscam suas vidas nessa jornada.
Histórico de apoio aos migrantes
Antes de se tornar papa, Leão XIV já demonstrava seu compromisso com os migrantes enquanto era bispo no Peru, onde oferecia ajuda humanitária a aqueles que fugiam da Venezuela. Como líder da Igreja Católica, ele critica as políticas do governo americano em relação aos imigrantes, apontando o tratamento recebido como “desumano”.
Durante sua visita à Lampedusa, Leão XIV depositará uma coroa de flores em homenagem aos migrantes que perderam a vida no mar e deve se encontrar com sobreviventes.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A visita do papa também será marcada por uma missa ao ar livre. Ele segue os passos de seu antecessor, Francisco, que visitou a ilha logo após sua eleição para chamar a atenção para as tragédias enfrentadas por aqueles que tentam atravessar o mar em embarcações precárias.
O cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago e aliado próximo do papa, ressaltou que esta visita terá um caráter “pessoal”. Ele lembrou que Leão XIV vem de uma família de imigrantes e acredita que sua presença na ilha enfatiza as contribuições que os recém – chegados trazem para os países anfitriões. “Isso muitas vezes é esquecido quando olhamos para os imigrantes apenas como infratores da lei”, disse Cupich à CNN.
Leia também
Reflexões sobre imigração e guerra
O arcebispo Ronald Hicks, escolhido por Leão XIV para liderar a Arquidiocese de Nova York, também compartilhou suas experiências em El Salvador, onde passou cinco anos. Ele destacou a importância de entender como é estar do outro lado da imigração.
Hicks mencionou que o papa levanta questões cruciais sobre como tratamos as pessoas ao chegarem aos EUA: “Como nos vemos como irmãos e irmãs? Como acolhemos esses indivíduos?”, questionou.
Desde sua eleição, Leão XIV nomeou vários bispos que chegaram aos EUA como migrantes. Isso inclui um bispo que foi trazido clandestinamente de El Salvador aos 18 anos. Tanto Cupich quanto Hicks defenderam a necessidade de um sistema jurídico robusto para gerenciar a imigração e notaram que os bispos têm se posicionado cada vez mais sobre essas questões.
As tensões entre o governo Trump e o Vaticano foram evidentes quando o presidente fez ataques diretos ao papa após este criticar a guerra no Irã. Cupich comentou sobre isso: “Senti – me triste ao ver aquilo. Foi algo sem precedentes.” O cardeal expressou sua frustração com a falta de padrões exigidos dos líderes americanos naquele momento.
Perspectivas futuras
Cupich também criticou a justificação da guerra no Irã sob a teoria da “Guerra Justa”, afirmando que essa abordagem não deve ser utilizada como autorização para conflitos armados. Ele sugeriu um diálogo contínuo entre a Igreja Católica e Vance para esclarecer essa questão.
A doutrina da Guerra Justa tem raízes históricas profundas e foi formulada por figuras como Santo Agostinho. Em uma encíclica recente, Leão XIV declarou que essa teoria está “ultrapassada” e precisa ser atualizada devido às novas realidades dos conflitos modernos.
Tanto Cupich quanto Hicks concordaram que o papa exerce uma liderança moral significativa no cenário global. “Ele ouve mais do que fala; porém quando se pronuncia, transmite firmeza e coragem”, afirmou Hicks. Os cardeais estão satisfeitos com o papel ativo do papa nas questões contemporâneas como imigração e paz mundial.