Papa Leão XIV, TPI e CIJ estão entre os favoritos ao Nobel da Paz 2026

O Nobel da Paz 2026 pode premiar o Papa Leão XIV, o TPI ou a CIJ em meio a tensões globais e ataques ao direito internacional.

Prêmio Nobel da Paz

O Comitê do Nobel da Paz se prepara para anunciar o vencedor do prêmio de 2026, e a lista de cotados inclui desde um papa até um tribunal internacional, passando por ativistas e organizações humanitárias. A escolha deve refletir as tensões geopolíticas atuais, com destaque para os conflitos em larga escala e o debate sobre o direito internacional.

Entre os nomes mais comentados está o do Papa Leão XIV, primeiro pontífice americano da história. O líder religioso ganhou projeção mundial por suas críticas à guerra e por sua defesa do diálogo, especialmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, chamá – lo de “fraco” por se opor ao conflito com o Irã.

Sua encíclica sobre inteligência artificial, os apelos pelo respeito aos migrantes e o trabalho humanitário também são vistos como fatores que podem justificar uma premiação.

O peso do direito internacional e as figuras de destaque

Outros nomes fortes na disputa são o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ). O TPI, sediado em Haia, vive um momento delicado: o governo Trump estuda impor sanções ao tribunal, que emitiu um mandado de prisão contra o primeiro – ministro israelense, Benjamin Netanyahu. As medidas, segundo o jornal americano Wall Street Journal, poderiam proibir transações em dólares e isolar a corte do sistema financeiro global.

A CIJ, principal órgão judicial da ONU, também aparece como possível vencedora. Diferente do TPI, ela julga disputas entre Estados, e não indivíduos. Karim Haggag, diretor do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), avalia que o Nobel da Paz costuma refletir preocupações com áreas sob ameaça. “Eu diria que existem dois grandes desafios: o desafio dos conflitos em larga escala e o desafio do direito internacional“, afirmou Haggag.

Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, também está na lista. A advogada italiana, que já sofreu ameaças por sua atuação, recomendou que o TPI acusasse autoridades israelenses e americanas de crimes de guerra.

Ela apresentou um relatório intitulado “Anatomia de um genocídio” ao Conselho de Direitos Humanos da ONU no ano passado.

Leia também

Ativistas, organizações e o caso de Jimmy Lai

O ativista ucraniano Mykola Kuleba, fundador da ONG Save Ukraine, é outro cotado. A organização já retirou mais de 160 mil pessoas de zonas de guerra desde 2014 e, desde o início da invasão russa em larga escala em 2022, ajudou a trazer de volta 565 crianças ucranianas que estavam na Rússia ou em territórios ocupados.

Kuleba foi Comissário do Presidente da Ucrânia para os Direitos da Criança entre 2014 e 2021.

O empresário Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, também é mencionado. Condenado em fevereiro a 20 anos de prisão por acusações de segurança nacional em Hong Kong, Lai nega as acusações e se declara um “prisioneiro político”. Sua situação foi criticada por líderes globais, que veem o caso como parte da repressão de Pequim após os protestos pró – democracia de 2019.

Organizações internacionais que atuam em zonas de conflito também estão na mira do comitê. As Salas de Resposta de Emergência do Sudão, uma rede de grupos comunitários que presta assistência durante a guerra civil, e a Save the Children, que trabalha na proteção de crianças afetadas por guerras, são exemplos.

Já o presidente Donald Trump, indicado por líderes do Camboja, Israel e Paquistão, não é visto como favorito. “Isso estabeleceria um precedente bastante controverso”, disse Haggag, acrescentando que o histórico de Trump na mediação de conflitos “pode estar exagerado”.