Papa Leão XIV clama por justiça às vítimas de abusos na Espanha durante visita histórica

Papa Leão XIV pede atenção às vítimas de abusos na Espanha
Nesta segunda-feira (8), o papa Leão XIV se dirigiu aos bispos católicos da Espanha, enfatizando a importância de ouvir as vítimas de abusos cometidos por membros do clero e de oferecer reparações. Essa foi a primeira menção direta aos escândalos que afetaram a credibilidade da Igreja local durante sua visita ao país.
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O papa destacou que os sobreviventes devem perceber um “compromisso firme” da Igreja em fortalecer as medidas de proteção e criar um ambiente seguro para crianças e pessoas vulneráveis.
Encontro com vítimas e críticas de grupos de sobreviventes
O pontífice está realizando sua primeira visita a um país da União Europeia fora da Itália. O Vaticano anunciou que o papa se reunirá com um grupo de vítimas durante sua estadia, mas ainda não divulgou detalhes adicionais. Grupos proeminentes de sobreviventes de abusos na Espanha expressaram que não foram convidados para as reuniões papais, considerando o evento uma oportunidade insuficiente para abordar suas preocupações.
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Juan Cuatrecasas, presidente do grupo “Infância Roubada”, afirmou que os sobreviventes que se reunirão com o papa não representam todas as vítimas da Igreja, alegando que estão sendo utilizados para melhorar a imagem da Igreja espanhola.
Os sobreviventes têm solicitado ações mais efetivas da Igreja. Embora o antecessor de Leão XIV, Francisco, tenha tomado medidas durante seu papado para enfrentar os abusos, grupos de sobreviventes pedem uma responsabilização mais rigorosa e uma política global de tolerância zero para clérigos acusados de má conduta.
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A organização “Infância Roubada” e outros grupos exigem ações concretas, como acompanhamento psicológico vitalício, indenizações justas e apoio à educação e ao emprego.
Agenda do papa e críticas sobre encontros com sobreviventes
Na semana passada, o cardeal madrilenho José Cobo declarou que não era viável para o papa se encontrar com múltiplos grupos de sobreviventes durante sua visita à Espanha, devido à agenda cheia do pontífice. “Isso não significa que essas realidades não interessem ao papa, mas sim que seu tempo é limitado”, explicou Cobo.
O ativista Miguel Hurtado, que relatou ter sofrido abusos na adolescência na Abadia de Montserrat, criticou a falta de um encontro com sobreviventes de abusos ocorridos naquela abadia. O papa visitará Montserrat, mencionada no relatório do ouvidor de 2023, na quarta-feira, e almoçará com os monges beneditinos locais. “No mínimo… lembrem-se das vítimas”, pediu Hurtado aos repórteres. “Comprometam-se publicamente a limpar a Igreja dos abusadores e daqueles que os acobertam.” O relatório do ouvidor identificou 15 vítimas e três supostos autores ligados à abadia.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



