Papa Leão XIV alerta sobre riscos da inteligência artificial e pede ação urgente dos governos

Papa Leão XIV clama por cautela na inteligência artificial e denuncia guerras em sua encíclica “Magnifica Humanitas”. Descubra suas preocupações e apelos!

Papa Leão XIV pede cautela no desenvolvimento da inteligência artificial

O papa Leão XIV fez um apelo aos governos para que desacelerem o avanço de sistemas de inteligência artificial em seu primeiro documento significativo, divulgado nesta segunda-feira (25). Ele alertou que essas tecnologias podem disseminar desinformação, priorizar conflitos e potencialmente levar o mundo a guerras intermináveis.

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Nos últimos meses, Leão XIV adotou um tom mais firme, especialmente após criticar a guerra no Irã, e fez uma série de solicitações aos líderes globais em um extenso texto, conhecido como encíclica.

O primeiro papa dos Estados Unidos enfatizou que a propriedade dos dados de IA não deve ser deixada apenas nas mãos do setor privado. Ele pediu que os formuladores de políticas protejam os direitos dos trabalhadores e garantam a segurança das crianças em relação à tecnologia, além de solicitar a redução da competição entre as empresas de inteligência artificial. “É necessário um envolvimento político mais ativo, capaz de desacelerar as coisas quando tudo está se acelerando”, afirmou o pontífice no documento intitulado “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade).

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Denúncia de guerras e apelo por justiça social

Leão XIV também denunciou o número crescente de guerras que assolam o planeta, lamentou o enfraquecimento das organizações multilaterais e alertou que os lucros da indústria armamentista são uma força motriz por trás dos conflitos. “Os últimos 60 anos foram marcados por conflitos de brutalidade assombrosa, que muitas vezes afetaram populações civis em larga escala”, declarou o papa em inglês.

Ele destacou que a humanidade está mergulhando em uma cultura violenta de poder, onde a paz é vista como um intervalo frágil entre os conflitos.

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Além disso, Leão XIV fez uma declaração clara repudiando a teoria da guerra justa, uma doutrina que a Igreja utiliza desde o século V para avaliar conflitos. Ele afirmou que essa teoria, que justifica guerras em nome da defesa, está ultrapassada e que o uso da força e da violência resulta em consequências desastrosas para as populações civis.

O papa expressou preocupação com a possibilidade de líderes iniciarem guerras para desviar a atenção dos problemas internos.

Ética na inteligência artificial e novas formas de escravidão

O pontífice ressaltou que a inteligência artificial deve estar sujeita a rigorosas restrições éticas e considerou inaceitável delegar decisões letais a sistemas de IA. Leão XIV, o 14º papa a adotar esse nome, fez referência a ensinamentos papais anteriores sobre justiça social, citando seu antecessor, Leão XIII, que clamou por melhores condições de trabalho durante a Revolução Industrial.

Ele denunciou as “novas formas de escravidão” enfrentadas por trabalhadores que operam sistemas de IA e por aqueles que produzem dispositivos tecnológicos.

O papa destacou que, em algumas regiões, crianças e adolescentes trabalham em condições perigosas para extrair elementos de terras raras, e que seus corpos estão marcados e desgastados para manter o fluxo computacional. “Essa realidade desafia profundamente a consciência moral do nosso tempo”, afirmou.

Leão XIV também reconheceu que a Igreja não condenou a escravidão transatlântica de forma contundente até o século XIX e fez um pedido de desculpas em nome da Igreja.

Convocação à reflexão sobre a inteligência artificial

Leão XIV, que se dirigiu aos católicos e a todas as pessoas de boa vontade, enfatizou a necessidade de enfrentar questões cruciais sobre o desenvolvimento da inteligência artificial e a liderança global. Ele fez uma analogia com a história bíblica da Torre de Babel, alertando sobre os riscos de empreendimentos que buscam alcançar o céu sem a bênção de Deus. “Peço a todos que abandonem a construção de mais uma Torre de Babel e unam forças na construção do bem comum”, declarou o papa.

O pontífice instou o mundo a não desistir de abordar os riscos potenciais da inteligência artificial. “Uma tentação sutil pode surgir, a ideia de que os problemas são grandes demais e nós somos pequenos demais, e que, portanto, nossas escolhas não podem fazer a diferença”, escreveu.

Leão XIV ressaltou que, embora nem todos tenham o mesmo poder para impactar a realidade, ninguém está isento de responsabilidade e todos têm suas próprias áreas de atuação.