Ceasefire Acordo entre Israel e Hamas Levado por Pressão Internacional
Israel anunciou na quinta-feira (9) que todas as partes haviam assinado a versão final da primeira fase de um acordo com o Hamas para um cessar-fogo em Gaza e a libertação de prisioneiros israelenses, em o que alegava que marcaria o fim do genocídio palestinense que se celebrava na terça-feira (7) em dois anos.
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O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, disse que o acordo anunciado entre Israel e Hamas, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não é um plano de paz, mas um cessar-fogo que mantém a ocupação e ignora a reconstrução da Faixa de Gaza. “Não se trata de um acordo de paz, apenas de um cessar-fogo”, disse Rabah em uma entrevista à Radio BdF.
“Trump diz que todos os prisioneiros serão libertados, mas isso se aplica apenas aos israelenses. Os palestinos permanecem atrás das grades: mais de 26.000 estão ilegalmente detidos, entre aqueles na Cisjordânia e em Gaza”, enfatizou ele. Segundo ele, o plano visa “enganar a opinião pública global” ao apresentar as trocas de prisioneiros como o principal problema do conflito. “Israel nunca quis uma troca. O objetivo era destruir a população palestina e empurrá-la de volta à Idade da Pedra”, denunciou.
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Quanto aos países mediadores, Rabah recordou que o Egito já havia proposto em março um cessar-fogo ligado à reconstrução e ao progresso em direção a uma solução de dois Estados. A nova proposta, argumentou ele, “não menciona se Gaza será desimpaquetada, nem se haverá uma retirada completa do território”.
“O texto de Trump não menciona a Cisjordânia, o Estado palestino, nem os recursos naturais de Gaza, que somam quase US$ 1 bilhão em reservas de gás”, criticou. “É um cessar-fogo que não resolve as causas reais da tragédia palestina”, resumiu Rabah.
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Pressão internacional e recuo de Israel
O presidente da Fepal acredita que o cessar-fogo representa o reconhecimento internacional da escala do extermínio cometido contra o povo palestino. “Existem 79.444 exterminados, incluindo mais de 11.000 desaparecidos sob os escombros, o equivalente a 3,57% da população de Gaza”, disse Rabah. “O mundo inteiro viu este genocídio e o rosto feio de Israel, que também se tornou o rosto feio dos Estados Unidos, os garantidores deste extermínio, o maior da história”, acrescentou.
Para Rabah, o gesto de Israel de aceitar um cessar-fogo se deve à pressão internacional. Ele apontou para uma declaração recente de Trump para a Fox News, na qual o presidente dos EUA teria dito ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que “Israel não pode lutar contra o mundo”. Rabah concluiu: “Netanyahu entende isso perfeitamente. O mundo não aceita mais este genocídio.”
