Pais de menino de 3 anos são indiciados por homicídio e tortura após morte em Viamão, RS

A tragédia em Viamão levanta preocupações sobre a violência familiar e a proteção de crianças, evidenciando a necessidade de intervenções sociais mais eficazes.

Polícia Civil Rio Grande do Sul

Os pais de um menino de 3 anos que morreu após ser espancado em Viamão, no Rio Grande do Sul, foram indiciados pela Polícia Civil nesta terça – feira (11). Dandre Grayson e Mayanna Angelina Rodgers enfrentam acusações de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada por cinco vezes.

Ambos já se encontram presos preventivamente.

A investigação revelou que o casal tinha três filhos, com idades entre 1 e 9 anos, vivendo sob a mesma roof desde o nascimento do mais velho. A tragédia ocorreu no dia 9 de julho, quando Oliver Golden Grayson foi levado ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos.

O relato das agressões

O principal suspeito da agressão é Dandre Jermaine Grayson, pai da criança e missionário norte – americano. De acordo com os relatos da investigação policial, as agressões ocorreram na residência da família, localizada na zona rural do distrito de Águas Claras.

O homem alegou ter agredido o filho porque ele não lhe havia dado “bom dia”. Essa justificativa chocou os investigadores.

A perícia realizada apontou como causa da morte um traumatismo crânio – encefálico grave. Além disso, os exames revelaram a presença de diversas cicatrizes antigas no corpo do menino, indicando um padrão de violência que pode ter ocorrido ao longo do tempo.

Em uma reviravolta ainda mais perturbadora, Dandre também foi indiciado por violência doméstica contra Mayanna. As acusações incluem injúria, vias de fato, violência psicológica e estupro. Segundo a delegada responsável pelo caso, a situação vivida por Mayanna era extremamente grave e complexa; entretanto, ela não teria tomado nenhuma atitude para proteger o filho durante as agressões.

Leia também

Repercussão da tragédia

A delegada comentou sobre a inércia da mãe diante das violências ocorridas: “Não é crível que se mantivesse inerte, deitada na cama, no quarto ao lado, enquanto seu filho era espancado.” Essa declaração levanta questões sobre como a sociedade pode lidar com situações semelhantes e quais mecanismos estão disponíveis para proteger crianças em risco.

Além disso, a polícia destacou que Mayanna teve diversas oportunidades para buscar ajuda em relação à violência familiar que enfrentava. Em várias ocasiões, agentes municipais visitaram sua casa sozinhos e poderiam ter oferecido suporte à mãe ou registrado denúncias formais sobre a situação.

A CNN Brasil está tentando estabelecer contato com a defesa dos indiciados para obter mais informações sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestações sobre essa trágica situação que abalou a comunidade local e levantou debates sobre proteção infantil e violência doméstica.