Overdose de café é possível? Conheça os limites de cafeína, dos tremores à morte

O risco cresce com doses acumuladas de energéticos, cápsulas e géis; sintomas podem evoluir de tremores e palpitações a convulsões e morte.

08/09/2026 16:37

3 min

Cafeína está disponível em cada vez mais formatos no mercado, de suplementos a industrializados
Cafeína está disponível em cada vez mais formatos no mercado, de...

Em abril de 2026, a família de uma adolescente texana de 17 anos pediu indenização à distribuidora de um energético popular nos Estados Unidos. O processo relaciona a morte da jovem a um quadro de cardiomegalia, também descrito como coração grande, provocado pelo “estresse por ingestão de grandes quantidades de cafeína”.

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Benny Agosto Jr., advogado da família, disse que “cafeína era a única coisa que ela tinha no organismo”. Para ele, a bebida preferida da adolescente apresentava “avisos inadequados para os graves riscos cardíacos” associados ao consumo.

Intoxicação pode ocorrer com consumo acumulado

Mortes por intoxicação ou overdose de cafeína não são comuns. A preocupação, porém, cresce com a expansão do mercado de produtos que contêm a substância, como cápsulas, energéticos e géis.

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A intoxicação pode aparecer depois da ingestão de uma grande quantidade de uma só vez ou do consumo de porções menores durante várias horas. Tremor muscular, confusão mental, aceleração dos batimentos cardíacos, agitação e perda de apetite estão entre os sintomas possíveis.

Em níveis elevados, a cafeína pode provocar convulsões e levar à morte. O volume considerado perigoso muda de acordo com a idade, a tolerância e as condições de saúde preexistentes de cada pessoa.

A FDA (Food and Drug Administration), entidade do governo americano, informa que adultos podem ingerir até 400 miligramas de cafeína por dia sem efeitos adversos. Ainda assim, a recomendação é restringir o consumo diário a 250 miligramas.

Produtos industrializados aumentam a exposição

A cafeína pode permanecer no organismo por bastante tempo. Sua meia – vida aproximada chega a nove horas e meia, o que permite que doses pequenas tomadas em intervalos sucessivos se acumulem e atinjam uma quantidade letal.

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Relatos científicos de overdose geralmente envolvem alimentos e suplementos industrializados que recebem cafeína para aumentar a sensação de energia ou acelerar o metabolismo. Em 2022, um homem de 29 anos no País de Gales morreu depois de errar, com uma balança de cozinha, a medida de cafeína em pó.

O rótulo do produto indicava uma dose diária de 60 a 300 miligramas. Na autópsia, foram identificados 392 miligramas de cafeína em um único litro de sangue do britânico.

A dose letal média estimada é de 150 miligramas por quilo corporal. Mais de 400 miligramas em um dia podem causar sintomas leves, mas o risco é maior para crianças, adolescentes, pacientes cardíacos e pessoas com problemas de circulação sanguínea.

Uma porção de 350 miligramas de refrigerante pode conter até 83 miligramas de cafeína; o chá verde, 37; o chá preto, 71; o café puro, até 247; e um energético, até 246. Esses volumes isolados normalmente não provocam intoxicação, mas o consumo repetido ou combinado com cápsulas termogênicas, chocolate e remédios com cafeína pode representar risco à saúde.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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