Ouvir menos pode estar fazendo você caminhar mais devagar, alerta especialista
A Dra. Adriana Gonzaga Chaves destaca que a perda auditiva pode impactar a mobilidade, especialmente em pessoas acima de 60 anos, comprometendo a autonomia.
A Dra. Adriana Gonzaga Chaves, médica otorrinolaringologista do Fleury, alerta que o corpo costuma enviar sinais antes de doenças se tornarem evidentes. Muitas vezes, essas alterações não são sentidas como dor, mas manifestam – se em mudanças sutis no cotidiano, como a dificuldade em caminhar, o receio de subir escadas ou uma maior atenção aos sons ao redor.
Compreender a relação entre audição e mobilidade é fundamental. Por muito tempo, a perda auditiva era vista apenas como um incômodo relacionado à intensidade do som ou à necessidade de aumentar o volume da televisão. No entanto, pesquisas recentes revelam que a audição tem um papel crucial na nossa autonomia e na capacidade de nos orientarmos no espaço.
Estudo revela ligação entre audição e velocidade de caminhada
A pesquisa conduzida pela equipe do Apple Hearing Study trouxe novos dados sobre essa conexão. Os cientistas analisaram informações coletadas por iPhones e Apple Watches e descobriram que pessoas com perda auditiva caminham significativamente mais devagar do que aquelas com audição preservada, especialmente após os 60 anos.
Mesmo levando em conta idade e gênero, essa associação se manteve forte.
Essa relação pode parecer estranha à primeira vista: o que a audição tem a ver com a forma de caminhar? A resposta está na estrutura interna dos ouvidos. O ouvido interno abriga dois sistemas sensoriais fundamentais: a cóclea, responsável pela audição, e o labirinto, que regula o equilíbrio e a percepção da posição corporal.
Esses sistemas estão integrados tanto anatômica quanto fisiologicamente.
Quando ouvimos nossos próprios passos ou os sons ao nosso redor, estamos constantemente recebendo informações que ajudam nosso cérebro a construir um mapa espacial para facilitar a locomoção. Porém, quando a capacidade auditiva diminui, esse processamento fica comprometido.
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O cérebro deve gastar mais energia para compreender sons e conversas — fenômeno conhecido como “listening effort” — causando fadiga mental e reduzindo nossa atenção e coordenação motora.
A importância da velocidade da caminhada como indicador de saúde
Atualmente, a velocidade da caminhada é vista como um importante indicador de saúde geral. Estudos mostram que ela reflete a integração dos sistemas cardiovascular, neurológico, muscular e respiratório. Uma redução nessa velocidade pode sinalizar dificuldades em manter postura e equilíbrio, aumentando o risco de quedas e fraturas.
Isso impacta diretamente na capacidade funcional do indivíduo e pode elevar as chances de hospitalizações e diminuir a expectativa de vida.
Dessa forma, a perda auditiva vai além da simples dificuldade em ouvir; ela se torna parte de um ciclo que pode ameaçar a independência ao longo dos anos. A falta de tratamento para problemas auditivos está associada ao aumento do isolamento social, ansiedade e depressão.
Embora esses fatores tenham múltiplas causas, acredita – se que o esforço constante para entender sons junto à diminuição das interações sociais possa acelerar o envelhecimento funcional.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce é uma ferramenta essencial para preservar qualidade de vida. Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que ouvir menos faz parte do processo natural de envelhecimento e adiam anos uma avaliação especializada. Diagnosticar precocemente proporciona medidas protetivas contra fatores ambientais nocivos como ruídos excessivos e tabagismo.
Além disso, permite o monitoramento das doenças associadas ao uso de medicamentos e garante acompanhamento especializado quando necessário. A medicina avança na compreensão das interconexões entre os diferentes sistemas do corpo humano. Cuidar da audição significa cuidar também do equilíbrio, mobilidade e independência — aspectos fundamentais para continuar caminhando pela vida com segurança e confiança.