Espaçonave Orion: A Nova Era das Missões Espaciais
Desenvolvida no início dos anos 2000 para o programa Constellation, a espaçonave Orion foi criada com um objetivo audacioso: levar humanos além da órbita da Terra. Após o cancelamento do programa em 2010, a Orion foi reformulada e agora se tornou o elemento central do Artemis, que simboliza o retorno da humanidade à Lua.
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Nesse novo cenário, a Orion passa por uma transformação significativa, deixando de ser um veículo de teste para cumprir sua função original: abrigar e sustentar uma tripulação em missões além da órbita terrestre, algo que não ocorre desde as missões Apollo.
A cápsula pressurizada da Orion, onde quatro astronautas vivem e operam, é acompanhada pelo Módulo de Serviço Europeu (ESM), que se conecta à sua base. Este módulo, fornecido pela Agência Espacial Europeia, é responsável pela propulsão, energia, oxigênio e água a bordo.
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Para possibilitar missões no espaço profundo, a Orion integra sistemas autônomos de suporte à vida, navegação e gestão de recursos, além de interfaces avançadas para a tripulação. O ambiente interno foi projetado como um sistema fechado, funcional e seguro, capaz de sustentar a vida humana sem depender continuamente da Terra.
Vivendo e Pilotando no Espaço Profundo
Durante a missão Artemis II à Lua, os astronautas da NASA, Reid Wiseman e Victor Glover, pilotarão a Orion manualmente pela primeira vez. Nesta missão, a Orion testará o Sistema de Controle Ambiental e Suporte à Vida (ECLSS) com tripulação, garantindo que a atmosfera interna seja respirável e monitorando a pureza do ar com sensores a laser de alta precisão.
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Uma das inovações no sistema de purificação de ar é a utilização de depuradores de dióxido de carbono regenerativos, que expulsam gases tóxicos diretamente para o vácuo do espaço, permitindo um ciclo contínuo de respiração limpa.
Outro aspecto crucial que será testado é o gerenciamento de água e resíduos, utilizando o novo sistema da Orion em condições reais. O objetivo é assegurar que, na órbita lunar, o sistema funcione de maneira confiável, já que reabastecimentos ou correções não serão viáveis durante o voo.
Embora não seja uma novidade na Artemis II, o cockpit de vidro da Orion, que é um painel de controle totalmente digital, será avaliado. A habitabilidade da nave também será testada, incluindo a ergonomia interna, com assentos que absorvem impacto e a organização do espaço reduzido, além da mobilidade dos tripulantes em microgravidade.
Protocolos de Segurança e Reentrada Refinada
A presença de astronautas a bordo da Artemis II exigiu a ativação completa do Sistema de Aborto de Lançamento, que é o pino pontiagudo no topo da nave. Este sistema, que estava inativo na missão não tripulada, agora contém motores potentes prontos para agir em caso de falha crítica durante a ignição.
Se os sensores detectarem problemas no SLS nos momentos iniciais do voo, o mecanismo de escape é acionado, separando a cápsula do foguete e garantindo a segurança da tripulação.
Além disso, a reentrada da Orion foi aprimorada. Em vez de substituir o material, o que levaria anos, a NASA ajustou o ângulo de entrada, o perfil de desaceleração e o uso mais preciso da técnica de skip reentry, onde a espaçonave “quica” na atmosfera superior antes de realizar o mergulho final.
Essa abordagem redistribui a carga térmica durante a descida, reduzindo picos de aquecimento e estresse no escudo. Com isso, a Artemis II valida um perfil de reentrada essencial para operações lunares tripuladas e representa um avanço significativo no desenvolvimento de tecnologias para futuras missões a Marte.
