Oposição denuncia manobra do CNE e acusa irregularidades nas eleições de 2026

A oposição equatoriana tem expressado sérias preocupações sobre possíveis tentativas de manipulação das regras eleitorais em vista das eleições locais de 2026. A situação se agravou com a recente decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de suspender o registro de dois partidos políticos importantes, Construye e Unidad Popular, gerando acusações de manobra política e irregularidades no processo.
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O CNE justificou a medida com base em uma suposta redução drástica no número de filiados, mas a oposição argumenta que a decisão visa favorecer o partido governante e que o processo foi conduzido de forma inadequada.
Controvérsias e Dados em Dissonância
A disputa sobre o número de filiados é central para o debate. Enquanto o CNE alega que apenas 1.483 pessoas se desligaram dos partidos desde 2020 (representando 0,7% do cadastro eleitoral), a Unidad Popular, liderada por Geovanni Atarihuana, afirma que o número real de desfiliações foi de 175 mil.
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Atarihuana ressaltou que a decisão foi tomada fora do prazo legal e violou os procedimentos estabelecidos, chamando o CNE de “vergonha nacional”. A confusão se agrava com o fato de que documentos oficiais do próprio CNE confirmam apenas 1.483 desfiliações desde 2020.
Acusações de Perseguição Política
A situação se intensifica com o contexto de perseguição política a figuras de oposição. Em novembro de 2026, o CNE já havia suspendido o movimento de esquerda Revolução Cidadã (RC), próximo ao ex-presidente Rafael Correa, alegando uma investigação do Ministério Público.
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Nomes proeminentes da esquerda, como o prefeito de Guayaquil, Aquiles Álvarez, enfrentam processos judiciais. Luisa González, ex-candidata presidencial, denuncia que o governo busca isolar a oposição e manipular as alianças eleitorais.
Revisão Legal e Denúncias Internacionais
Os partidos afetados, Construye e Unidad Popular, planejam recorrer ao Tribunal de Contencioso Eleitoral e a instâncias internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O Observatório da Lawfare, em uma análise publicada em abril de 2026, classificou a suspensão da RC como um “fato de extrema gravidade institucional”, apontando para um processo sistemático de restrição da participação política desde 2017.
Eleições Locais e Desafios
As eleições de 29 de novembro de 2026 determinarão a composição de 5.742 cargos, incluindo prefeitos, vereadores, membros de conselhos urbanos e rurais, e representantes paroquiais. O clima de incerteza e as acusações de irregularidades representam um desafio significativo para a legitimidade do processo eleitoral e para a participação política no Equador.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



