Operadora de caixa vive drama por rotina exaustiva! Sonalda Lino, 36 anos, revela: “Só durmo em casa”. Jornada de 6×1 de 15 anos causa sofrimento. Saiba mais!
“Meus filhos ficam contando os dias da minha folga, porque eu venho em casa somente para dormir, fazer a comida deles e voltar para trabalhar.” É a realidade de Sonalda Lino, uma operadora de caixa de 36 anos, moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro.
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Sua rotina, marcada por longas jornadas e poucas horas de descanso, reflete a sobrecarga enfrentada por muitos trabalhadores brasileiros.
Sonalda trabalha em uma rede de supermercados em regime de 6×1, ou seja, seis dias consecutivos e apenas um dia de folga. Essa escala, que se estende por 15 anos, a obriga a dedicar grande parte do seu tempo livre às responsabilidades familiares e domésticas.
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O trajeto até o local de trabalho, que leva mais de quatro horas diárias, e as tarefas de casa, como preparar refeições e organizar a casa, consomem o pouco tempo livre que lhe resta.
A jornada de Sonalda, que inclui mais de 44 horas semanais, é um reflexo de uma realidade comum no mercado de trabalho brasileiro. Grande parte da força de trabalho com carteira assinada opera em contratos de 44 horas ou mais, muitas vezes em escalas de 6×1.
Essa situação, somada ao limite de oito horas diárias estabelecido pela Constituição e à previsão do artigo 67 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que garante o descanso semanal de 24 horas, gera um cenário de exaustão e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A situação de Sonalda e de muitos outros trabalhadores brasileiros levanta questões importantes sobre a qualidade de vida, a saúde e o convívio familiar. A sobrecarga de trabalho pode levar a problemas de saúde física e mental, além de prejudicar os relacionamentos familiares.
A proposta de reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, defendida por diversos setores da sociedade, surge como uma alternativa para mitigar esses impactos negativos.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força no Congresso Nacional, com a tramitação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que propõem a mudança. A PEC 2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP), e a PEC 2015, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), buscam reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais sem redução salarial.
A aprovação dessas propostas representaria uma grande vitória para milhões de brasileiros que sofrem com jornadas exaustivas e falta de tempo para a vida pessoal.
A luta por mais tempo livre e por condições de trabalho mais equilibradas é um reflexo da luta de classes no Brasil, onde a exploração do trabalho e a desigualdade social são desafios persistentes. A resistência das elites contra o fim da escala 6×1 é um exemplo claro dessa realidade, mas a esperança de milhões de brasileiros reside na possibilidade de uma mudança significativa na legislação trabalhista.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.