Operação “Sintonia de Gravata” prende 10 advogados e líderes de facções criminosas na Bahia
A operação “Sintonia de Gravata” expõe a conexão entre advogados e facções criminosas, revelando a complexidade do crime organizado na Bahia.
Na manhã desta sexta – feira (3), uma operação das forças de segurança da Bahia resultou na prisão de advogados e líderes de facções criminosas. Os alvos da ação pertencem ao Comando Vermelho (CV), Bonde do Maluco (BDM), que tem vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital), e ao Terceiro Comando Puro (TCP.
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A investigação revelou que os advogados, utilizando suas prerrogativas de sigilo, burlaram o isolamento e a incomunicabilidade impostos em presídios de segurança máxima. Eles facilitavam a gestão das facções por líderes encarcerados, transmitindo mensagens e auxiliando na tomada de decisões e no acompanhamento de atividades criminosas.
Detalhes da operação
Durante a operação“Sintonia de Gravata”, foram cumpridos 22 mandados de prisão, sendo 12 contra criminosos já detidos. No total, dez advogados foram alvo da ação: nove foram presos e um está foragido. As identidades dos investigados não foram divulgadas.
A operação também incluiu 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis. As diligências ocorreram em cidades como Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Durante as buscas, as autoridades apreenderam notebooks, celulares e documentos que podem ajudar nas investigações e na identificação de outros envolvidos.
A Justiça determinou ainda a indisponibilidade dos ativos financeiros dos investigados até o limite mínimo de R 10 milhões. Além disso, estão bloqueadas embarcações e aeronaves relacionadas aos réus para evitar a movimentação de recursos ligados às atividades ilícitas.
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A natureza do crime organizado
A ação “Sintonia de Gravata” é resultado da colaboração entre o Ministério Público do Estado da Bahia, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Polícia Civil. O nome da operação refere – se à terminologia usada para descrever divisões internas dentro das facções criminosas — “sintonia” é composta por “gravatas”, alusão aos advogados que atuam no crime organizado.
Segundo promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), as investigações apontaram para um esquema regional complexo responsável por tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e articulação entre grupos criminosos.
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Esses aspectos impactam diretamente a segurança pública na Bahia.
Os elementos coletados demonstram que o CV, o BDM e o TCP mantinham um sofisticado sistema clandestino que garantiu a continuidade das atividades criminosas mesmo com líderes presos em unidades prisionais seguras. Um núcleo externo mediava a comunicação entre membros encarcerados e aqueles em liberdade, permitindo que as lideranças participassem ativamente na gestão do tráfico, comercialização de entorpecentes e resolução interna de conflitos.