Okinawa: Trauma, Resistência e Crimes nas Bases Militares!
Um legado de violência e luta persiste no arquipélago japonês. Crimes, abuso sexual e protestos contra as bases americanas e japonesas chocam Okinawa. Saiba mais!
Okinawa, um arquipélago no Sul do Japão, carrega um legado complexo, marcado por ocupações militares, crimes de guerra e uma persistente resistência. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a ilha tem sido palco de tensões, especialmente devido à presença contínua de bases militares americanas e japonesas.
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A história da ilha é intrinsecamente ligada a relatos de violência, abuso sexual e a luta por autonomia e segurança.
A ocupação militar dos EUA em Okinawa terminou em 1972, mas a presença americana permaneceu, intensificada nas décadas seguintes. Essa presença tem sido associada a um aumento nos casos de violência e agressão sexual, principalmente contra mulheres locais.
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Dados da Polícia de Okinawa revelam um aumento alarmante nos crimes cometidos por militares e civis estadunidenses. Em 2024, foram registrados 73 crimes, um aumento significativo em relação aos anos anteriores, e em 2025, esse número saltou para 101 casos, representando um aumento de 38% em relação ao ano anterior.
Em maio de 2024, um soldado da Marinha dos Estados Unidos foi acusado de tentar cometer violência sexual contra uma jovem em Naha, a capital e ilha principal de Okinawa. O caso gerou indignação e levou à condenação do soldado a sete anos de prisão.
Além disso, em 2023, um oficial da Força Marítima de Autodefesa do Japão foi acusado de abuso sexual contra uma menor de idade, um caso que só veio à tona após mais de um ano, desencadeando protestos em todo o arquipélago. Esses eventos reacenderam a memória de casos anteriores, como o estupro coletivo de soldados estadunidenses contra uma criança de 12 anos, que motivou um dos maiores protestos políticos da história de Okinawa em 1995.
A luta contra as bases militares em Okinawa tem raízes em eventos que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares de mulheres, incluindo okinawanas e coreanas, foram forçadas a trabalhar como “mulheres de conforto” para as tropas japonesas.
Estima-se que pelo menos 400 mil mulheres foram vítimas desse sistema, e a presença de cerca de 100 mil soldados japoneses em Okinawa em 1944 intensificou a exploração sexual. Os relatos de violência e abuso sexual durante a guerra continuam a afetar a população local, e a memória das “mulheres de conforto” permanece viva na consciência da ilha.
A construção do Memorial de Arirang em 2008, na pequena ilha de Miyako, é um tributo às vítimas, com homenagens em 11 idiomas, representando os países de origem das mulheres.
Em 2026, a Associação de Moradores de Miyako Contra as Bases de Mísseis completou 3 mil dias de manifestações contra a instalação de novas bases de mísseis na ilha. A associação foi criada em 2017 em resposta ao anúncio do governo japonês de instalar na ilha uma base do Exército de Autodefesa com mísseis antiaéreos e anti-navios.
Os moradores expressam preocupações sobre a falta de consultas, a ameaça de conflitos regionais e a contaminação de aquíferos vitais. A luta pela segurança e autonomia de Okinawa continua, com a população buscando garantir que o legado da ocupação militar não se repita.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.