Descubra os segredos por trás do Carnaval de 2026! Do conceito à grandiosidade dos desfiles, a Mocidade Alegre brilha com a história de Léa Garcia.
O Carnaval é um processo que se inicia com uma ideia e culmina na grandiosidade dos desfiles. Tudo começa com uma sugestão que, após ser trabalhada, se transforma em um recorte. Em seguida, a pesquisa é realizada, dando vida a uma sinopse que orienta a composição do samba.
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Depois, surgem as maquetes e a estrutura, até que a comunidade se prepara para brilhar no sambódromo.
Esse processo envolve reuniões, leituras, deslocamentos e ajustes de última hora, conforme afirmam enredistas e carnavalescos. A ideia pode vir de diversas fontes, como um familiar, um pedido da direção ou uma proposta da comunidade. “No Carnaval de 2026, a inspiração veio do filho da Léa [homenageada pela escola]”, comenta Caio Araújo, 35, carnavalesco da Mocidade Alegre, que conquistou o título ao contar a história da atriz Léa Garcia.
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Para Caio, o primeiro passo é avaliar se a proposta possui material suficiente para sustentar a narrativa e a estética do desfile. A equipe deve identificar se o tema é “uma joia” que merece ser trabalhada. É nesse momento que entra o enredista, responsável por moldar a ideia inicial.
No entanto, essa decisão já traz limitações práticas, como o calendário da escola e a aceitação da comunidade.
Quando a sugestão se torna um recorte, o trabalho ganha outra dimensão. Não é mais apenas sobre um nome ou um evento; é necessário definir ângulos e subtemas. “Eu costumo pegar uma folha em branco e construir sub-temas já pensando na setorização e no visual”, explica Tiago Freitas, 39, enredista desde 2023.
O recorte deve responder a perguntas essenciais sobre a narrativa e a visualização do desfile.
A pesquisa é vista pelos enredistas como um esforço de curadoria. “A pesquisa no Carnaval de escola de samba é realizada a partir do enredo que é desenvolvido”, afirma João Gustavo Melo, 48, enredista da Unidos do Viradouro. Isso envolve a combinação de diferentes camadas, como bibliografia acadêmica, iconografia e depoimentos, que trazem detalhes e vozes para a narrativa.
Em um caso relacionado a cultos religiosos, a equipe visitou terreiros na Bahia para compreender as práticas. No caso da homenagem a Léa Garcia, entrevistas e fotografias foram fundamentais para entender seu legado e selecionar elementos que poderiam ser traduzidos em alegorias durante o desfile.
Pesquisar com o intuito de criar um espetáculo envolve a escolha do que pode ser traduzido visualmente. Os enredistas filtram o material em busca de imagens e eventos que funcionem como informação e leitura plástica. A pesquisa não é um inventário neutro, mas sim uma curadoria guiada por questões práticas, como a percepção do público e a viabilidade de execução no barracão.
Um dado histórico pode se transformar em volume, enquanto um retrato antigo pode inspirar figurinos. Um depoimento pode se tornar parte da sinopse e, eventualmente, um verso no samba. A sinopse, por sua vez, é o ponto de encontro entre pesquisa e criação, servindo como um roteiro prático para compositores e carnavalescos.
Tiago Freitas menciona que transforma leituras em poesia, extraindo subtemas que se tornam alas e momentos do desfile. A sinopse deve inspirar o samba, orientar a concepção plástica e fornecer justificativas técnicas. O documento é enviado aos compositores rapidamente, pois o tempo é curto. “Temos cerca de dois meses para realizar toda a pesquisa”, destaca João Gustavo.
Com o samba definido, maquetes, protótipos e figurinos são testados. O barracão se transforma em um espaço onde soluções técnicas e estéticas são discutidas. A verdadeira dimensão do trabalho da escola se revela quando as fantasias são entregues e os carros saem do barracão. “Quando vemos nosso carnaval indo para a rua, sentimos que nosso filho está nascendo”, finaliza Caio Araújo.
Esse percurso — sugestão, recorte, pesquisa, sinopse e produção — guiou a Mocidade Alegre e a Unidos do Viradouro em suas apresentações campeãs, mesmo diante dos imprevistos que sempre surgem na pista.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.