Após a renúncia de Romeu Zema (Novo) e sua subsequente candidatura à presidência, Matheus Simões (PSD) assumiu o cargo de governador de Minas Gerais em 22 de março de 2026. A nomeação gerou críticas imediatas, com analistas políticos apontando para uma continuidade do projeto de desmonte do Estado e um aumento do autoritarismo na gestão.
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O novo governador tem sido associado a uma agenda focada na privatização de empresas públicas e na redução do papel do Estado em áreas cruciais como educação e saúde.
A avaliação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG) é que Simões representa uma “continuidade de um governo centrado no ‘não Estado’”, caracterizado pela privatização absoluta e por relações autoritárias com movimentos sociais. Correia destaca que as medidas implementadas durante o período em que Simões esteve na gestão do partido Novo foram as mais radicais nesse sentido.
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O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Luiz Quadros, complementa essa análise, afirmando que a continuidade que Simões representa sequer pode ser considerada um projeto, e que as ações do atual e do ex-governador fazem parte de um contexto global de ascensão da extrema direita.
Um ponto central da crítica é o papel de Simões na articulação da aprovação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) da proposta de emenda à Constituição que buscava acabar com a obrigatoriedade de referendos populares para a desestatização de empresas como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
O parlamentar também apontou para a apresentação do projeto de lei que permite a privatização da Copasa, aprovado sob forte pressão do governo estadual. A iniciativa de privatizar a Cemig e a educação também foram mencionadas, com o governo leilão da gestão de 95 escolas públicas do estado pelos próximos 25 anos.
A medida do leilão de escolas públicas, que visa a permitir a entrada de parcerias público-privadas, tem gerado forte oposição. Trabalhadores em educação e comunidades escolares temem que a entrada do setor privado resulte na deterioração da qualidade do ensino.
Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), critica o governo por promover “um projeto voltado para as elites e sem qualquer compromisso com os interesses populares e democráticos”.
José Luiz Quadros ressalta que a lógica implementada pela gestão Zema/Simões em Minas só serve para aumentar a concentração de riqueza, remetendo à ideia do liberalismo do século 18.
Além das privatizações, Simões enfrenta críticas em relação aos baixos salários pagos aos servidores públicos, que acumulam defasagens salariais significativas. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) denuncia que o governo “promoveu incessantes ataques aos interesses do funcionalismo estadual”, com impactos negativos na educação, saúde, meio ambiente e segurança pública.
A entidade questiona o que um fundo de investimento pode trazer ao administrar setores de escolas públicas, reforçando a preocupação com a qualidade do serviço prestado.
Antes de assumir o cargo, Matheus Simões se envolveu em polêmicas, como a agressão ao vereador Gilson Reis durante um debate sobre o projeto Escola Sem Partido. O escândalo também envolveu acusações de ameaças à deputada Lud Falcão (Podemos).
Essas controvérsias, juntamente com o legado de retrocessos, levam o deputado Rogério Correia a afirmar que Simões “não deve ser eleito”, e que é necessário um governo que retome políticas públicas, fortaleça o serviço público e cuide do meio ambiente.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.
