Novas Descobertas Revelam Segredos da Construção dos Moai na Ilha de Páscoa, Rapa Nui

Novas descobertas na Ilha de Páscoa revelam que a construção das estátuas moai era descentralizada, desafiando narrativas sobre o colapso da sociedade Rapa Nui.

27/11/2025 12:11

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Novas Descobertas sobre a Ilha de Páscoa

Arqueólogos revelaram que um modelo 3D de uma pedreira centenária na Ilha de Páscoa, que contém estátuas de cabeças inacabadas, oferece novas informações sobre a construção desses monumentos e a sociedade polinésia que os criou. Conhecida como Rapa Nui, a ilha é famosa por suas esculturas gigantes que observam o Oceano Pacífico, mas nunca completou o que poderia ser a maior estátua da comunidade.

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A cabeça gigante, junto com outras centenas, permanece incrustada na rocha da pedreira. Uma pesquisa publicada recentemente sugere que clãs individuais, e não uma única entidade, organizaram a construção das cabeças de pedra, conhecidas como moai.

Carl Lipo, coautor do estudo e professor de antropologia na Universidade de Binghamton, destacou que a escala monumental exigia uma coordenação centralizada.

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Metodologia da Pesquisa

Para analisar o local, os pesquisadores criaram o primeiro modelo de alta resolução da pedreira moai de Rano Raraku, utilizando 11.000 imagens capturadas por um drone. Eles identificaram 30 locais distintos de extração, sugerindo múltiplas áreas de trabalho independentes.

Além disso, encontraram evidências de transporte dos moai em diferentes direções antes de serem erguidos em plataformas pela ilha.

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Essa abordagem indica que a fabricação das figuras megalíticas não estava sob gestão centralizada. Lipo explicou que toda a cadeia de produção permaneceu dentro de zonas individuais, ao contrário de uma pedreira industrial, onde as estátuas se moveriam entre áreas para diferentes fases de produção.

Características das Estátuas

O modelo da pedreira revelou 426 moais em vários estágios de conclusão, 341 trincheiras escavadas e 133 vazios na rocha onde as estátuas foram removidas. A maioria das estátuas era esculpida em posição supina, com detalhes faciais definidos antes de delinear a cabeça e o corpo.

Entre as inacabadas, destaca-se Te Tokanga, que teria 21 metros de altura e pesaria cerca de 270 toneladas se finalizada.

Lipo observou que algumas tentativas de criar estátuas maiores podem ter superado os limites práticos de transporte, refletindo uma competição entre comunidades. As estátuas em Rano Raraku representam operações normais da pedreira e não um abandono, sugerindo que a produção pode ter continuado até a chegada dos europeus.

Debate sobre a Sociedade Rapa Nui

A Ilha de Páscoa, colonizada por navegadores polinésios há cerca de 900 anos, tem sido objeto de intenso debate sobre o colapso de sociedades complexas. Autores como Jared Diamond, em seu livro “Colapso”, usaram a ilha como exemplo de como a exploração de recursos limitados pode levar a um declínio populacional e destruição cultural.

No entanto, outros estudiosos defendem que Rapa Nui era uma sociedade pequena, mas sustentável.

As novas descobertas contribuem para essa reinterpretação, apresentando uma comunidade resiliente que se adaptou a um ambiente isolado. Lipo argumentou que a narrativa tradicional, que sugere que chefes poderosos causaram um colapso ecológico, pode não ser precisa, já que a produção de monumentos era descentralizada, com comunidades autônomas tomando decisões independentes.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.