Um procedimento incomum emprega um dente do paciente para fixar uma lente, recuperando a visão de três indivíduos canadenses em Vancouver.
Você já ouviu falar em um método que consiste em inserir um dente no olho e que visa restaurar a visão em pessoas cegas? É uma realidade, e os resultados estão atraindo atenção global. Três pacientes do hospital Mount Saint Joseph, em Vancouver, no Canadá, recuperaram a capacidade de enxergar após realizarem uma cirurgia incomum, denominada “dente-no-olho”. O procedimento foi conduzido pelo médico australiano Greg Moloney e representou as primeiras cirurgias desse tipo realizadas no país.
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O termo “dente-no-olho” refere-se a uma situação em que uma ação ou comportamento é retribuído com uma ação ou comportamento semelhante, criando um ciclo de vingança ou retaliação.
O método científico denomina-se osteo-odonto-queratoprótese. Desenvolvido ainda na década de 1960 pelo oftalmologista italiano Benedetto Strampelli e aprimorado por equipes da Itália e da Áustria nas décadas de 2000, é considerado um recurso final para pacientes que perderam a visão após danos graves na córnea, porém, com retina e nervo óptico preservados.
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Em entrevista ao programa The Today Show, da NBC, Moloney comparou a técnica a “trocar um para-brisa quebrado de um carro”. Isso porque o dente serve como base para fixar uma nova lente e reconstruir a “janela” do olho. Por ser um tecido do próprio paciente, o corpo não rejeita. “É um tecido de ponte entre o corpo e a lente plástica que foca a luz. É como plantar um cacto no deserto. Esta coisa vai sobreviver e vai crescer”, explicou.
Queimaduras químicas e doenças autoimunes que provocam rejeição de transplantes de córnea são as principais indicações para o procedimento. Estudos indicam que 90% dos pacientes conseguem manter as lentes estáveis e operacionais por até 30 anos.
Um dos pacientes canadenses submetidos à cirurgia, Brent Chapman, 34 anos, já havia sofrido 10 transplantes de córnea sem resultados duradouros. Ele perdeu a visão após desenvolver a Síndrome de Stevens-Johnson, uma reação alérgica grave a um medicamento, que o levou a um coma de 27 dias aos 13 anos. Ele retomou a leitura, a movimentação sem apoio e até praticou basquete. Ele acredita ter recuperado entre 50% e 67% da visão em um dos olhos, podendo manter esse nível por várias décadas.
Parecia um pouco como ficção científica. Pensei: “Quem imaginou isso?” Era tão inacreditável. Mas, quando o Dr. Maloney e eu trocamos olhares, foi muito emocionante. Eu não fazia contato visual com ninguém em 20 anos. Me senti eufórico, foi realmente fantástico. Antes de atuar no Canadá, Greg Moloney já havia realizado oito cirurgias desse tipo na Austrália, onde iniciou sua carreira.
Fonte por: Contigo
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.