Aliança Sunita Liderada por Netanyahu Desperta Preocupações sobre Conflitos Religiosos no Oriente Médio
Um plano proposto pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para formar um novo bloco regional majoritariamente sunita com o objetivo de combater o que ele descreve como “xiitas radicais” tem gerado críticas e preocupações entre analistas políticos e especialistas internacionais.
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A iniciativa, que visa criar um “hexágono de alianças” envolvendo Israel, Índia, Grécia, Chipre e outros países árabes e asiáticos, é vista como uma tentativa de exacerbar tensões religiosas e potencialmente desencadear novos conflitos na região do Oriente Médio.
Mohammed Nadir, cientista político e analista do Brasil de Fato, descreveu o plano como “mais uma das tentativas de Netanyahu de se apresentar como o líder onipotente no Oriente Médio”. Segundo Nadir, a estratégia busca “galvanizar uma nova guerra religiosa na região”, aproveitando as diferenças entre as vertentes sunitas e xiitas do islamismo. “O objetivo não é simpatia pelos sunitas, mas sim uma estratégia de dividir para dominar”, explica o analista.
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Contexto da Iniciativa e Desafios Regionais
A iniciativa de Netanyahu surge em um contexto de crescente tensão entre Israel e o Irã, país de maioria xiita, e busca conter o apoio iraniano ao Hezbollah no Líbano, além de enfrentar o apoio do governo sírio de Bashar al-Assad ao grupo. A região também é marcada pela presença dos Houthis no Iêmen, que recebem apoio material e treinamento do Irã.
Israel tem realizado ataques em diversos países da região, incluindo Irã, Líbano, Síria e Iêmen, e tem realizado ataques ligados a Gaza em águas internacionais na Tunísia e na Grécia.
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Nadir ressalta que “os xiitas acreditam num ideal religioso totalmente distinto do dos sunitas”. Ele adverte que a tentativa de desestabilizar o Irã e derrubar o regime teocrático pode levar a um desastre na região, beneficiando apenas a primazia de Israel e perpetuando um ciclo de instabilidade.
Relações Estratégicas e Contradições
A Índia, apesar de não ter formalmente endossado o plano, realizou uma visita de alto nível a Israel nesta quarta-feira (25), onde discutiu temas como inteligência artificial e segurança. Nadir critica a visita, destacando a “ambivalência” da política indiana, que se alinha com o regime de Modi, conhecido por sua ideologia ultranacionalista contra a população muçulmana do país, e participa do Brics, que defende um mundo multipolar e justo.
“É no mínimo ambígua a posição da Índia: de um lado festejar o genocídio contra 70 mil palestinos com Netanyahu e, por outro, estar no meio de um Brics, que defende um mundo multipolar e justo”, afirma Nadir, enfatizando a contradição da política indiana e a necessidade de aprender com a história, onde conflitos religiosos e a busca por poder têm gerado instabilidade e sofrimento em diversas regiões do mundo.
