Natura enfrenta prejuízo de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026; ações caem 1,8%

Natura enfrenta desafios no primeiro trimestre de 2026, com prejuízo de R$ 445 milhões e queda nas receitas. O que isso significa para o futuro da marca?

Natura registra prejuízo no primeiro trimestre de 2026

A Natura reportou um prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, superando o resultado negativo de R$ 152 milhões registrado no mesmo período do ano anterior, conforme o balanço divulgado nesta segunda-feira (11). A fabricante de cosméticos apresentou um resultado operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente, de R$ 346 milhões, o que representa uma queda de 55,7% em comparação ao mesmo período de 2025.

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A receita líquida da empresa totalizou R$ 4,75 bilhões entre janeiro e março, apresentando um recuo de 7,7% em relação ao ano anterior. Analistas esperavam, em média, um Ebitda de R$ 430 milhões para a Natura no primeiro trimestre, com uma receita líquida de R$ 4,3 bilhões, segundo dados da LSEG.

Desempenho das ações e fatores de pressão

As ações da Natura fecharam o dia em queda de 1,8%, cotadas a R$ 10,50, enquanto o Ibovespa registrou uma baixa de 1,2%. No balanço, a Natura destacou que houve “pressão temporária sobre a rentabilidade em meio a mudanças do modelo operacional e receita reduzida”.

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A companhia também mencionou o desempenho fraco das marcas Natura e Avon no Brasil, apesar do relançamento da Avon ter começado em meados de março.

Na América Latina, excluindo Argentina e Brasil, o crescimento continua a ser ofuscado por uma recuperação lenta. No Brasil, a receita do trimestre caiu 5,5% em relação ao ano anterior, enquanto na região hispânica houve uma queda de 1,1%, com margens em declínio em ambas as áreas.

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Expectativas e sinais de recuperação

A Natura observou que o sell-in (venda a varejistas) ficou ligeiramente abaixo das expectativas, ainda afetado pela desaceleração do consumo no Nordeste. A empresa citou uma “redução no número e na atividade de consultoras menos produtivas”. Em contrapartida, na venda aos consumidores (sell-out), a marca Natura “retomou ganhos de participação de mercado e o canal registrou crescimento sequencial no final do trimestre”, o que pode indicar uma melhora nas tendências de sell-in em um futuro próximo.

A Natura ressaltou sua maior exposição ao Nordeste, onde a penetração de mercado da venda direta é mais significativa. Apesar das pressões enfrentadas, a empresa observou “sinais iniciais promissores de ambas as marcas”, com métricas melhorando para a Avon e vendas de novos produtos superando as expectativas.