Na sétima carta, a COP30 solicita o envolvimento do setor privado no enfrentamento das mudanças climáticas

O documento foi assinado pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da Conferência do Clima da ONU.

29/08/2025 10:11

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Na sétima carta, a COP30 solicita o envolvimento do setor privado no enfrentamento das mudanças climáticas
(Imagem de reprodução da internet).

A Presidência da COP30 acredita que somente com investimentos do setor privado será possível atingir a meta de combate às mudanças climáticas, considerando um “contexto de incerteza sistêmica, em que a urgência climática interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos agravados”. O financiamento das iniciativas para uma transição energética justa é um dos pontos centrais a serem definidos na conferência que ocorrerá em Belém. Este é o foco da sétima carta divulgada nesta sexta-feira 29 à comunidade internacional pelo embaixador André Corrêa do Lago.

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A carta visa também justificar a decisão questionável da capital paraense como sede da conferência. “Reconhecemos que viajar a Belém apresenta desafios logísticos. Mas este é precisamente o momento em que o setor privado pode liderar o caminho, para demonstrar que liderança climática significa engajamento com o mundo real”, afirma a carta.

O documento enfatiza que a Amazônia é um símbolo da urgência planetária e abrigo de pessoas cujas vidas simbolizam tanto a linha de frente da crise climática quanto o núcleo de suas soluções. “Chegar a Belém representa uma chance de se engajar, escutar, aprender e participar do espírito colaborativo do mutirão global. Essas discussões essenciais devem ocorrer não apenas onde é fácil, mas onde é mais importante”, conclui.

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A carta chama empresas e instituições financeiras para liderar a transição climática, fortalecendo o multilateralismo, relacionando o regime climático à vida real e impulsionando o Acordo de Paris. Acrescenta que, se há uma tendência evidente nesse cenário de incertezas, é a de que a transição climática em curso é irreversível.

Corrêa do Lago reconheceu que o cenário atual é bastante diferente daquele da Rio-92, a conferência fundadora do multilateralismo climático, na qual se acreditava que os recursos deveriam ser públicos e provenientes dos países desenvolvidos.

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Países desenvolvidos abandonaram a responsabilidade.

Não apenas os países desenvolvidos escaparam claramente da responsabilidade dos recursos públicos, como a escala do que é necessário se tornou infinitamente maior do que todos imaginavam em 1992. Então, o setor privado vai, sim, ter papel nas opções que se mostram possíveis para aumentar os recursos para 1,3 trilhão de dólares.

Apesar do distanciamento manifesto do governo americano durante a gestão de Donald Trump, ele acredita que, em circunstâncias favoráveis, “o setor privado americano poderá ter uma participação muito maior do que o setor público americano já teve”.

As contribuições públicas dos EUA para os fundos e outras iniciativas de combate à mudança climática são muito inferiores à sua importância e relevância. Mesmo durante este governo, se identificarem oportunidades de negócios que beneficiem suas instituições, não haverá confronto ideológico sobre o tema, declarou.

O presidente Lula encaminhou uma carta a Trump, convidando-o para a cúpula em Belém. A CEO da COP30, Ana Toni, informa que os EUA não participaram de reuniões em nível ministerial para a organização do evento e sequer enviaram representantes à última grande reunião técnica anterior a Belém, realizada em Bonn, na Alemanha, em junho.

Toni declarou que governos e corporações dos Estados Unidos se envolveram nos compromissos climáticos, embora de maneira discreta, devido ao receio de retaliações. Trata-se do que se denomina greenhushing, a prática de empresas que minimizam intencionalmente ou permanecem em silêncio sobre seus esforços de sustentabilidade para evitar críticas, fiscalização e possíveis acusações de greenwashing, mesmo que tenham alcançado avanços. Na avaliação do embaixador Corrêa do Lago, isso representa um fenômeno positivo, no qual as empresas percebem que o interesse governamental é transitório, e não a transição. “Espero que tenham um pouco de coragem em Belém”, afirmou.

O presidente da COP30 argumenta que o setor privado é um beneficiário da transição climática e um parceiro essencial para impulsionar a implementação da Agenda de Ação. “Isso implica avaliar os riscos climáticos, adotar planos de transição confiáveis e se engajar de forma relevante com países e investidores em relação a políticas, financiamento e execução”, destaca o texto.

Ao analisar as perspectivas do setor, a presidência menciona dados de um relatório recente da Organização das Nações Unidas. Destaca que a energia limpa movimentou mais de 2 trilhões de dólares em investimentos globais em 2023, gerando quase 35 milhões de empregos. “No Brasil, o Tesouro Nacional, empresas e bancos emitiram mais de 30 bilhões de dólares em títulos verdes até 2024 – todos com taxas de juros inferiores às dos títulos convencionais –, enquanto o setor de energia renovável criou mais de 1,5 milhão de empregos”, afirma.

Fonte por: Carta Capital

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