Mulheres e crianças: vítimas invisíveis da crise climática! 80% dos deslocados por desastres são mulheres e crianças. Rio Grande do Sul: enchentes impactam 95% dos municípios, com mulheres em situação de maior vulnerabilidade. ONU aponta: mulheres e crianças morrem 14x mais em catástrofes. A exclusão das mulheres na política climática é alarmante! Descubra como elas lideram a resistência e buscam soluções
Apesar da distância que muitas vezes damos a essa questão, os impactos da crise climática são reais e sentidas diariamente, manifestando-se em enchentes, secas, ondas de calor e, cada vez mais, na insegurança alimentar. A forma como essas mudanças afetam as pessoas não é uniforme; a crise climática, quando analisada sob a perspectiva das interseccionalidades – que considera como diferentes formas de desigualdade se cruzam – revela como gênero, raça, classe social e localização geográfica moldam profundamente a experiência desses impactos.
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De acordo com a ONU, cerca de 80% das pessoas que são forçadas a abandonar suas casas devido a desastres climáticos em todo o mundo são mulheres e crianças. Essa realidade se torna ainda mais evidente no Rio Grande do Sul, onde as enchentes de 2024 atingiram 95% dos municípios, mas as mulheres sentiram os impactos de forma desproporcional.
Estatísticas da Terceira Conferência Mundial da ONU sobre Redução de Riscos de Desastres revelam que mulheres e crianças têm 14 vezes mais chances de falecer em catástrofes naturais do que homens, mesmo sendo as mais vulneráveis.
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Mesmo sendo as mais afetadas pela crise, as mulheres frequentemente são excluídas dos espaços de tomada de decisão em relação à política climática global. A predominância masculina entre os negociadores climáticos da ONU – apenas 34% são mulheres – e a escassez de recursos climáticos que chegam a projetos liderados por mulheres (menos de 3%) reforçam essa contradição.
Essa ausência impede que as realidades das comunidades mais vulneráveis sejam devidamente consideradas.
Apesar de sua marginalização, as mulheres desempenham um papel fundamental em comunidades sub-representadas e vulneráveis, liderando a organização coletiva, a defesa dos territórios e a busca por soluções diante dos impactos ambientais. Reconhecer esse protagonismo é crucial, pois a justiça climática e a justiça de gênero estão intrinsecamente ligadas.
Não se pode falar em futuro do planeta sem considerar as desigualdades que estruturam a sociedade.
No Rio Grande do Sul, essa reflexão ganha ainda mais urgência, considerando que eventos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais frequentes. A data do 8 de março, por exemplo, se torna um momento para refletir sobre as condições de vida das mulheres gaúchas, seu trabalho invisível, a insegurança alimentar, o calor extremo, os desastres ambientais, a violência doméstica e a desigualdade social.
Somos uma espécie recente na história da Terra, e nossa capacidade de alterar o clima do planeta exige respostas coletivas e coragem para enfrentar as injustiças.
É fundamental lembrar que não haverá justiça para as mulheres em um planeta em colapso, nem justiça climática sem a participação ativa das mulheres. A voz de Sophia Maia, socioambientalista e estudante de ciência política, ressalta a importância de reconhecer esse protagonismo e de construir um futuro mais justo e sustentável para todos.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.