Mulheres no Cerrado lideram restauração ecológica! 🌿 Conhecedoras da natureza, elas garantem a diversidade do solo. Mas enfrentam barreiras no setor florestal. Saiba mais!
Antes de qualquer política pública ou compromisso climático, no coração do Cerrado, mulheres já desempenhavam um papel fundamental. Conhecedoras dos ritmos da natureza, elas guardavam sementes, sabendo do tempo da florada, do momento ideal para a coleta, do processo de secagem e do silêncio necessário para a germinação.
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Essa expertise era a base da restauração ecológica, garantindo a diversidade que emerge do solo e se torna raiz.
Apesar dessa importância histórica, a presença feminina não se traduzia em poder de decisão. O setor florestal, em grande parte, mantinha uma lógica dominada por homens, concentrando as funções de coleta, produção de mudas e manutenção de viveiros em atividades consideradas de cuidado.
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No planejamento estratégico e na definição de contratos, a liderança permanecia majoritariamente masculina.
Dados da Rais mostram que a participação feminina em cargos de gestão no setor florestal era baixa, entre 6% e 10%. Relatos da Rede Mulher Florestal (2024) revelavam que 88,2% das mulheres que alcançavam cargos de liderança enfrentavam barreiras específicas de gênero, incluindo questionamentos sobre sua capacidade técnica e a necessidade de abrir mão de aspectos pessoais para ascender a posições de comando.
Essa dinâmica se repetia na cadeia de restauração da Mata Atlântica, com mulheres predominando nas etapas iniciais, mas diminuindo em número nos conselhos diretores e instâncias de governança. Relatórios da IPBES reforçavam essa tendência, evidenciando que a governança ambiental ainda concentrava poder em estruturas masculinizadas.
A Rede de Sementes do Cerrado, fundada pela professora Linda Caldas, surgiu como uma resposta a essa realidade. A iniciativa, apoiada pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, reconheceu a ausência de sementes nativas em escala para a recuperação do Cerrado.
Desde o início, a organização foi liderada por mulheres, que transformaram a necessidade técnica em um projeto estruturado, com base científica, responsabilidade legal e inclusão social.
A história da Rede de Sementes do Cerrado demonstra que a liderança feminina não é apenas um dado simbólico, mas uma construção política e institucional coerente com a prática da organização. A continuidade da liderança feminina, desde a fundadora até as gestões atuais, consolidou uma cultura organizacional baseada em competência, compromisso e continuidade.
Ainda que a Rede de Sementes do Cerrado seja uma exceção, a mensagem é clara: a restauração ecológica não pode ser medida apenas por hectares recompostos ou número de espécies plantadas. Projetos que ignoram a diversidade humana tendem a reproduzir desigualdades históricas.
Se a base da cadeia é feminina, a liderança também precisa ser.
O futuro do Cerrado depende da diversidade biológica, mas igualmente depende da diversidade de vozes que decidem seu destino. A jornalista Thaís Souza ressalta a importância de reconhecer as mulheres não apenas como guardiãs das sementes, mas também como protagonistas nas decisões, na gestão e na condução dos processos que fortalecem a agenda de restauração ecológica.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.