Mudanças no Mercado de Chocolate: Hershey promete reverter reformulação após críticas

Mudanças nos rótulos de chocolates geram polêmica entre consumidores. Hershey promete reverter reformulações após críticas. Descubra os detalhes dessa

Transformações no Mercado de Chocolate

A recente mudança nos rótulos dos chocolates trouxe barras menores e mais leves, com uma mistura de ingredientes e aditivos, além de uma informação em destaque: “sabor chocolate”. A alta significativa nos preços do cacau globalmente fez com que a indústria se adaptasse, gerando descontentamento entre os consumidores.

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Com a queda de quase 70% nas cotações futuras do cacau, espera-se que o chocolate recupere seu espaço nas receitas, resultando em um recuo parcial dos chamados “chocolates alternativos”, que possuem um percentual de cacau insuficiente para serem considerados chocolate verdadeiro.

A gigante americana Hershey, responsável pelas marcas Hershey’s e Reese’s, anunciou planos para reverter a reformulação de seus produtos. De acordo com a Reuters, essa decisão foi tomada após críticas públicas, incluindo a do neto do fundador da Reese’s, que questionou as mudanças em produtos icônicos da marca.

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A empresa informou que, a partir do próximo ano, suas principais linhas voltarão às receitas originais.

Impactos da Indústria e Preços do Cacau

As mudanças na indústria começaram como uma tentativa de reduzir os custos de produção, influenciadas por condições climáticas adversas, doenças nas lavouras e a queda brusca nos estoques globais. Em 2024, a tonelada de cacau foi comercializada acima dos US$ 12 mil, enquanto atualmente, na bolsa de Nova York, a tonelada é cotada abaixo de US$ 4 mil.

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Para contornar a alta nos custos, a indústria diminuiu as porções e passou a adicionar ingredientes como frutas e castanhas, além de investir em alternativas sem cacau.

Um exemplo disso são os produtos à base de sementes de girassol e aveia, desenvolvidos pela startup alemã Planet A Foods em parceria com a Barry Callebaut, a maior processadora de cacau do mundo, que responde por um quarto de toda a produção de chocolate global.

Essa busca por alternativas resultou em uma queda acentuada nas compras de cacau, atingindo o menor nível em nove anos, o que também influencia a atual diminuição do preço da commodity.

Legislação e Expectativas para o Setor Cacaueiro

No Brasil, que é o sexto maior consumidor per capita de chocolate do mundo, a mudança não depende apenas da flutuação da bolsa, mas também da legislação. A nova norma determina que os produtos rotulados como “chocolate” devem conter, no mínimo, 35% de sólidos totais de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga de cacau.

O “chocolate ao leite” poderá manter 25% na composição, além da obrigatoriedade de constituintes de leite. Atualmente, o percentual mínimo para todos os tipos de chocolate é de 25% de sólidos de cacau, bem abaixo dos padrões internacionais.

Essa nova legislação promete impactar significativamente o setor cacaueiro nacional. Enquanto a indústria expressa preocupação com os custos imediatos para adaptar maquinários e receitas, os produtores de cacau celebram o aumento da demanda interna.

Com a redução dos preços nas gôndolas, a tendência é que os consumidores busquem produtos de maior qualidade.

Oportunidades e Desafios Futuros

Para Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em direito do agronegócio, o novo marco regulatório atua como um catalisador de valor para o chocolate brasileiro. Ele afirma que a lei incentiva a verticalização da produção e a busca por insumos de maior valor agregado, consolidando o Brasil como um player que prioriza a qualidade em vez do volume.

Além disso, a padronização pode favorecer produtos de maior qualidade e aumentar a valorização do cacau brasileiro no mercado interno, melhorando a competitividade dos chocolates com maior teor de cacau.

A expectativa é que cooperativas de agricultura familiar e pequenos produtores sejam beneficiados, muitos dos quais já operam sob o sistema cabruca, que cultiva o cacau sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica, típico do Sul da Bahia, resultando em amêndoas de maior valor agregado.

Apesar do otimismo regulatório e da redução nos preços da commodity, analistas de mercado alertam que a recuperação total da demanda global por cacau pode levar até dois anos e meio.

Além disso, o mercado consumidor está em transformação, com a indústria observando o crescimento de medicamentos para perda de peso, que alteram o consumo de doces. A Geração Z, por sua vez, demonstra maior abertura para inovações, como chocolates sem cacau.

A formação de um El Niño neste ano pode impactar novamente a produtividade nas lavouras de cacau, tanto no Brasil quanto na África, e o temor de que os preços do cacau possam voltar a subir pode manter algumas opções de “sabor chocolate” no mercado.