O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) planeja uma nova marcha pela BR-150, entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, no Pará, marcando três décadas após um evento crucial na história do movimento. A ação está prevista para os dias 13 a 17 de abril, buscando honrar a memória daqueles que perderam a vida na luta pela terra.
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Ayala Ferreira, integrante da Direção Nacional do MST no Pará, explicou que a mobilização se inspira na marcha interrompida de 1996, que ocorreu no dia 17 de abril. “Estamos chamando de ‘marcha interrompida’ para nos referir ao final de tarde daquele dia, quando o massacre aconteceu”, detalhou Ferreira.
A iniciativa visa mobilizar famílias acampadas do sul e sudeste do Pará, que se juntarão à marcha em direção a Eldorado do Carajás.
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Em 1996, cerca de 1.500 pessoas estavam acampadas na Curva do S, em Eldorado do Carajás, com o objetivo de marchar até Belém e reivindicar a desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por 3.500 famílias sem-terra. A marcha, iniciada em 10 de abril, foi abruptamente interrompida em circunstâncias trágicas.
A ação da Polícia Militar, conhecida como o “Massacre de Eldorado do Carajás”, resultou em 21 mortes de camponeses, 19 no local do ataque e mais dois que faleceram no hospital, além de dezenas de feridos.
Ferreira enfatizou que a principal resposta ao massacre é a atuação do poder público, buscando uma política ampla de reforma agrária. “Queremos reafirmar que a melhor justiça é que o Estado brasileiro cumpra sua função”, declarou. A retomada da marcha visa consolidar a imagem de famílias em luta e dispostas a defender a implementação da reforma agrária no Brasil.
A dirigente ressaltou a importância de resgatar a memória do evento para inspirar novas gerações na luta pela terra.
Além da marcha, o MST planeja organizar um acampamento com a participação de cerca de 500 jovens na Curva do S, reconstruindo um monumento em homenagem aos militantes que perderam a vida. A iniciativa também visa promover a formação política e pedagógica da juventude, reafirmando a Curva do S como um espaço de resistência.
Ferreira destacou o papel fundamental da juventude na continuidade da luta pela reforma agrária.
No dia 17 de abril, data do Dia da Luta pela Reforma Agrária, está previsto um ato político com a chegada da marcha. Nesta ocasião, será lançado a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (Jura), uma iniciativa nacional que reunirá universidades e movimentos sociais para discutir agroecologia, soberania alimentar e reforma agrária.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.
