
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou a ocupação da fazenda Prata, em Darcinópolis, Tocantins, nesta terça-feira, dia 7. As famílias do Acampamento Irmã Rita tomaram o controle do local durante a madrugada.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O terreno, que abrange 4 mil hectares, era utilizado de maneira irregular pelos proprietários. As empresas Império Verde Indústria e Empreendimentos e Verdes Agro Indústria e Comércio Ltda, responsáveis pela administração, já estavam em situação irregular junto ao governo federal.
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) havia identificado 102 trabalhadores em condições extremamente precárias na produção de carvão vegetal na região, em 21 de outubro de 2022. O órgão autuou os donos por violar direitos fundamentais e a legislação trabalhista brasileira.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo o relatório do GEFM, os trabalhadores consumiam água de uma represa contaminada por matéria orgânica e algas, sem tratamento químico adequado. Essa mesma fonte era usada para os animais, e os empregados não tinham acesso a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nem passaram por exames médicos admissionais.
O grupo econômico que gerenciava a área é liderado por Sirlei Martins Amaral. As investigações apontaram que os pagamentos eram limitados à produtividade bruta, medida em metro cúbico de lenha.
Os trabalhadores não recebiam por descanso, férias ou adicionais legais, o que o órgão considerou a apropriação indébita do trabalho humano visando o lucro máximo. Além disso, o território era dedicado ao monocultivo de eucalipto.
Joice Santos, coordenadora Nacional do MST no Tocantins, afirmou que a administração da terra degradou o solo. O Movimento se comprometeu a recuperar o terreno para torná-lo produtivo novamente.
Ela explicou que a área sofreu com a monocultura de eucalipto e a exploração inadequada com carvão. O plano é criar quintais produtivos para garantir a subsistência enquanto a recuperação do solo para produção de alimentos é realizada. “Nosso compromisso é com a recuperação das áreas degradadas para plantar árvores e produzir alimentos saudáveis”, declarou a coordenadora.
Esta ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária. A fazenda ocupada cumpria critérios de distribuição, pois se tratava de terra pública da União, sem autorização para monocultura de eucalipto, além dos crimes cometidos pelos proprietários.
O Artigo 243 da Constituição Federal determina a desapropriação de propriedades com comprovação de trabalho escravo, sem indenização. Ademais, a Lei 8.629 de 1993 estabelece que violar normas trabalhistas implica o descumprimento da função social da terra.
O MST relatou que a ocupação ocorreu de maneira pacífica, sem ameaças de latifundiários ou da Polícia Militar, mas anteciparam possíveis retaliações. Joice Santos alertou sobre o risco de repressão na região.
O estado do Tocantins, apesar de alarmantes números, sofre com uma invisibilidade na fiscalização. A baixa estatística não reflete a ausência de crimes, mas sim a falta de operações contínuas, exigindo maior ação do Ministério do Trabalho e Emprego.
Dados do Repórter Brasil indicam que o Tocantins ocupa a oitava posição no ranking nacional de trabalhadores escravizados desde 1995, com 3.057 pessoas encontradas em 168 casos, concentrados principalmente no norte do estado.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.