XI Estágio Interdisciplinar de Vivência em Pequi (MG) Busca Reativar a Luta Social
Entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2026, o Assentamento Roseli Nunes, localizado em Pequi (MG), um território de reforma agrária, receberá a etapa preparatória do XI Estágio Interdisciplinar de Vivência (EIV) de Minas Gerais. Trinta estagiários, provenientes do estado de Minas Gerais e de outros estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás, incluindo militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), se preparam para uma imersão profunda na realidade de famílias que lutam pela reforma agrária e pela defesa dos recursos naturais.
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O estágio, organizado pelo Levante Popular da Juventude e pelo Movimento Brasil Popular, tem como foco estudar e vivenciar o impasse da questão agrária e mineral que afeta esses territórios. A iniciativa busca aproximar os universitários da realidade socioeconômica, política e cultural do Brasil, rompendo com as barreiras da universidade tradicional.
A organização do EIV ressalta que a interrupção de 10 anos nas vivências não foi um evento casual, ocorrendo em um período marcado por uma forte ofensiva conservadora que remodelou o cenário político brasileiro.
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Contexto Histórico e Desafios
O período entre 2016 e 2026 foi caracterizado por um governo que impôs uma agenda de retrocessos, impactando negativamente as universidades públicas através de cortes de orçamento e da criminalização de movimentos sociais. A pandemia da COVID-19, que se intensificou nesse período, exacerbou as desigualdades sociais e dificultou a realização de atividades coletivas, mas também fortaleceu a resistência dos movimentos populares, que se dedicaram a defender a universidade pública e a vida da juventude.
Estrutura e Metodologia do Estágio
Com a retomada do estágio, os movimentos sociais e coletivos reafirmam a importância de ocupar os territórios e reconstruir os espaços de formação política, apostando na juventude universitária como agente fundamental para combater a extrema direita e construir um projeto popular para o Brasil.
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O EIV é organizado pelo MST, MAM, Levante Popular da Juventude (LPJ) e Movimento Brasil Popular (MBP), em parceria com o movimento estudantil. A iniciativa visa massificar a militância, elevar o nível de consciência e difundir a organização popular, especialmente em territórios onde os movimentos sociais ainda não atuam.
Etapas do Estágio
O estágio é dividido em três etapas: Preparatória, com discussões e aulas expositivas que aprofundam a compreensão sobre os processos organizativos, produtivos e políticos ligados à questão agrária e mineral em Minas Gerais; Vivência, onde os estudantes irão a campo, passando alguns dias em acampamentos e assentamentos do MST e territórios do MAM, conhecendo na prática a organização política, produtiva, social e cultural dos camponeses e atingidos; e Conclusiva, onde os estagiários se reúnem para socializar as experiências individuais, avaliar o processo e definir encaminhamentos para projetos futuros.
Reforço da Formação Política e Social
A estrutura organizativa do estágio é inspirada no método de educação do Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC), vinculado ao MST. Seus pilares são a pedagogia do movimento, a educação do campo, a disciplina consciente e a formação militante.
A metodologia valoriza princípios como a alternância de tempos e espaços, a gestão democrática, pesquisa, agroecologia e a “mística”, unindo o estudo ao trabalho como ferramentas para a transformação da realidade social.
Kaique Fernandes, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes em Minas Gerais (UEE-MG), destaca a importância da retomada do EIV em um momento estratégico, ressaltando a necessidade de formar seres militantes que pensem e formulem soluções através do método de voluntariado, que é coletivo, de formação e de luta.
A experiência do estágio visa preparar os estagiários para se organizarem nos movimentos sociais, fortalecerem o movimento estudantil e se engajarem nas lutas populares, buscando coletivamente superar as contradições do capitalismo encontradas nos territórios e construir as bases para um novo modelo de sociedade.
