MST critica duramente governo Lula sobre reforma agrária! Em análise, movimento cobra desapropriações urgentes e eficazes. Saiba mais!
Em três anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lança uma avaliação crítica sobre a política fundiária executada. A análise, que se distancia da demanda histórica do movimento e da política fundiária, demonstra uma preocupação com a forma como a reforma agrária tem sido conduzida.
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O movimento destaca a necessidade de uma abordagem mais efetiva, focada na desapropriação de terras improdutivas, como principal instrumento para a realização da reforma agrária.
O levantamento que comparou o desempenho do governo Lula com o de Michel Temer revelou que o presidente Lula desapropriou menos áreas do que seu antecessor. Márcio Santos, membro da direção nacional do MST, enfatiza que a desapropriação é crucial, exigindo um corpo técnico do Estado para fiscalizar imóveis improdutivos e elaborar processos legais.
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A priorização de outros instrumentos, como o cruzamento de dados, foi vista como uma camuflagem da realidade da reforma agrária, que para o MST, envolve a desapropriação de terras e o assentamento de famílias acampadas.
O MST critica a falta de um programa estratégico de reforma agrária, argumentando que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) priorizou instrumentos acessórios em detrimento do principal: a desapropriação. A organização ressalta que a desapropriação penaliza o latifúndio improdutivo, aquele que utiliza trabalho escravo, agride o meio ambiente ou comete irregularidades fiscais.
A baixa quantidade de assentamentos efetivados, com menos de 15 mil famílias, é considerada irrisória diante da demanda de 150 mil famílias acampadas aguardando a realização da reforma agrária.
Apesar das críticas, o MST reconhece os méritos do governo Lula em resolver conflitos pontuais, como o caso da usina Arenópolis em Campo do Meio e as terras da antiga Arapel no Paraná. No entanto, a organização critica a ausência de uma visão estratégica, apontando para a falta de metas, orçamento e equipe para realizar um amplo processo de vistorias e desapropriações.
O movimento ressalta a importância de priorizar a desapropriação como instrumento principal para a reforma agrária.
O MST manifesta ceticismo em relação à chamada “prateleira de terras”, um mapa de terras disponíveis para desapropriação anunciado pelo ministro Paulo Teixeira. A organização considera que a iniciativa foi um “instrumento de cozinhar o frango em banho-maria”, já que o Instituto Nacional de Propriedade da Terra (INPE) e outras autarquias já possuem uma base cadastral das terras públicas.
O programa Terra da Gente, lançado em 2024, também é avaliado como insuficiente para resolver a questão da reforma agrária.
Em relação aos sete decretos de desapropriação assinados pelo presidente Lula, o MST reconhece a ação, mas mantém a perspectiva crítica, argumentando que a velocidade das desapropriações é insuficiente para atender à demanda de famílias acampadas.
A organização avalia que, nos últimos três anos, pouco avançou na efetivação da reforma agrária, e que a situação permanece crítica para as 150 mil famílias acampadas aguardando a realização da reforma agrária.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.