MPSP Prende Vereador PT Em Operação Contra Primeiro Comando Capital

Vereador PT é preso na Operação Última Parada após investigação sobre lavagem em transporte público

Na imagem, o vereador Senival Moura (PT-SP), que está entre os presos; apuração começou depois da morte de Adauto Soares Jorge, em 2020 | Reprodução / Instagram@vereadorsenivalmoura – 17.set.2025

O Ministério Público do Estado (MPSP) juntamente com a Polícia Civil iniciaram nesta quinta – feira, o quinto mês deste ano – especificadamente no dia 25/6/2026 –, uma operação de grande impacto contra membros da facção criminosa Primeiro Comando Capital que utilizavam empresas ligadas ao transporte público em São Paulo para atividades ilícitas.

A ação resultou na prisão preventiva do vereador Senival Moura (PT – SP) e quatro outros indivíduos, além das buscas nos endereços dos investigados.

Alvos da Operação “Última Parada”

A operação “Ultimá Paraida”, conduz pela equipe integrada de inteligência do DEIC – Departamento Estadual Criminal –, do MPSP e pelo Gaeco, Grupo Estratégico Especial para o Combate ao Crime Organizado também dos autos da promotoria paulista. A investigação se concentra em desmantelar a estrutura que permitia aos integrantes desse grupo criminoso utilizarem recursos de empresas como Transunião Transportes S/A – onde Lourival Monário (Orelha), atual presidente, é alvo do mandado –, para lavar dinheiro proveniente das atividades da organização paramilitar. A lista completa dos alvos inclui Jair Ramos Freitas (“Cachorrô”), Devanil Souza Nascimento (“Sapo”), e Leonel Moreira Martins (“Cabeça Branca”). O vereador Senival Moura foi preso em seu gabinete na Câmara Municipal de São Paulo, enquanto os demais foram presos nos endereços residenciais. A operação também visa apurar irregularidades relacionadas à alteração societária da Transunião Transportes S/A que elevou o capital social do grupo para mais R 50 milhões sem a devida documentaçao comprobatória dos recursos utilizados na transição e aumento de valor, além das suspeitas envolvendo decisões estratégicas dentro dessa empresa.

As investigações foram iniciadas em decorrência da morte brutal ocorrída no ano anterior – em novembro/21 – do então presidente desta companhia (Transunião Transportes S A), Adauto Soares Jorge; e revelaram que a Transunio transportava mais de R30 milhões por mês, um valor superior à média das demais empresas concessionárias da cidade.

Em apenas o ano corrente – em uma análise feita pelo MPSP –, a empresa já havia recebido recursos superiores aos trêscentos mil reais (R), evidenciando a magnitude do esquema e os riscos envolvidos.

Conexões com Operações Anteriores

Leia também

A operação “Ultima Parada” não é um caso isolado. A investigação aponta para conexions entre o circuito econômico da Transunio Transportes S/a, que tem sido alvo de investigacao desde a morte do seu presidente Adauto Soares Jorge e outras empresas envolvidas em esquemas ilícitos como as operações “Raios” (deflagrada pela Polícia Federal) focada no tráfico internacional envolvendo o Primeiro Comando Capital – PCC -e o grupo mafioso “Ndrangheta”, sediado na Itália, além da operação que investigou a lavagem de dinheiro do próprio PPCC por meio das empresas UPBUS e Transwolff. As duas últimas entidades eram responsáveis pelo transporte diário para cerca dos 70 milhões passageiros em São Paulo; recebendo mais R835 milhão ao longo deste ano (20/14). A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Transportes do município tem sido notificada sobre as medidas administrativas necessárias. O bloqueio judicial ordenado pela Justiça determinou o congelamento na esfera bancária dos valores em torno aos 96 milhões reais e a apreensão ou confisco total das embarcações utilizadas para transporte público além que afastamentos preventivos da direção de Transunío Transportes S/A, com comunicação à Prefeitura Municipal. A investigação segue aberta sob coordenação do MPSP.