MPF denuncia 216 pessoas por tráfico humano e contrabando de migrantes entre 2025 e 2026
A atuação do MPF e da UNTC visa desmantelar redes criminosas e proteger vítimas, refletindo um esforço crescente no combate ao tráfico humano no Brasil.
Entre 2025 e 2026, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 216 pessoas por envolvimento em tráfico humano e contrabando de migrantes. Destes, 79 são acusados de tráfico internacional de seres humanos, afetando 299 vítimas identificadas. As outras 137 pessoas foram denunciadas por contrabando de migrantes.
A Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), estabelecida pelo MPF em 2024, já atuou em mais de 1.100 processos judiciais ao longo de um ano e meio. “A abordagem nacional evita a visão fragmentada sobre os casos detectados em diferentes partes do país, pois quase sempre eles guardam relação com redes criminosas transnacionais”, afirma Stella Scampini, coordenadora da unidade e procuradora regional da República.
Desafios na investigação antes da UNTC
Antes da criação da UNTC, cada caso era investigado individualmente por procuradores em todo o Brasil, que recebiam relatos de vítimas nos estados. Essa abordagem dificultava uma análise mais abrangente dos crimes, das rotas utilizadas pelos traficantes e das conexões entre os casos.
Agora, com a UNTC, quatro procuradores da República atuam exclusivamente em primeiro grau no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além disso, três procuradores regionais monitoram o andamento das ações na segunda instância dos tribunais.
Esse grupo é responsável por todos os casos relacionados no país.
Ações internacionais e novas modalidades de tráfico
Stella Scampini destaca que a unidade tem trabalhado na formação de equipes conjuntas de investigação com países da América do Sul e Europa para desmantelar as redes criminosas transnacionais. A colaboração entre autoridades facilita a troca rápida de informações e torna as investigações mais eficazes.
A procuradora observa que o Brasil não é apenas um ponto de aliciamento, mas também um destino para estrangeiros traficados e uma rota para pessoas levadas ao exterior. Muitas vezes, as rotas utilizadas para o tráfico humano coincidem com aquelas empregadas em outros crimes, como contrabando e tráfico de drogas ou animais.
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Dados alarmantes sobre o tráfico humano
O Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2025 revela que o Camboja foi o principal destino para brasileiros traficados (52%), seguido por Israel, Itália, Bélgica e Albânia. O relatório indica também que o tráfico humano representa 43% dos casos relacionados à exploração humana, superando pela primeira vez o trabalho escravo.
No final do ano passado, o MPF apresentou uma denúncia contra 15 indivíduos acusados de fazer parte de uma rede internacional dedicada ao tráfico de mulheres para exploração sexual em países como Europa, Oceania e Oriente Médio. Recentemente, três outras pessoas foram denunciadas à Justiça no sul do Brasil por envolvimento semelhante.
A UNTC já identificou outras formas de tráfico humano, incluindo o aliciamento de brasileiros para praticar fraudes financeiras em países do Sudeste Asiático, América do Sul e África ou para trabalhar em regiões em guerra.