
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou, nesta segunda-feira, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). A ação questiona uma lei que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a utilizar diversos imóveis públicos para capitalizar o Banco de Brasília (BRB).
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O MPDFT alega que a legislação possui sérios vícios, tanto formais quanto materiais. Tais falhas comprometem a transparência e o controle exercido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sobre o tema.
Para o Ministério Público, a salvaguarda do banco não pode ocorrer em detrimento dos preceitos constitucionais nem do patrimônio público. A ação busca garantir que a capitalização siga estritamente os limites legais e com a participação social adequada.
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Entre os pontos de contestação, destacam-se a ausência de avaliação prévia dos bens e a falta de comprovação de interesse público no projeto. Essas exigências são, inclusive, previstas na Lei Orgânica do Distrito Federal para desafetação de imóveis.
O MPDFT aponta que o processo legislativo falhou ao não promover audiências públicas com a população interessada, o que contraria a legislação local. A lei aprovada, que permite a alienação de bens sem delimitação clara, pode configurar risco de desvio de finalidade ao transferir patrimônio público.
Um ponto central da contestação envolve a inclusão da área na lista de bens destinados à capitalização. Essa região é vital para a recarga hídrica e para o abastecimento de água em várias partes do Distrito Federal.
A Gleba “A” da e nove córregos que alimentam o braço norte do Lago Paranoá são áreas de extrema importância ecológica. Ambientalistas alertam que a urbanização dessas terras prejudicaria severamente a vazão dos aquíferos subterrâneos.
O MPDFT ressalta que não houve análise de impacto ambiental prévia para a destinação desses imóveis de alta relevância ecológica. A ocupação desordenada do território pode causar danos irreversíveis à segurança hídrica de toda a população.
A necessidade de capitalização surgiu após o de alto risco do Banco Master. Críticos argumentam que o governo Ibaneis estaria utilizando o patrimônio público para cobrir prejuízos de transações consideradas temerárias.
O Ministério Público questiona a demonstração de um nexo direto entre os imóveis listados e a atividade principal do banco regional. Há também indícios de que as áreas foram subavaliadas pela administração pública distrital.
Parlamentares da oposição classificaram o projeto como um “cheque em branco” dado ao Executivo, sem as garantias necessárias. Eles denunciam a falta de transparência sobre os impactos financeiros reais para as empresas estatais envolvidas.
Em um movimento anterior, a Vara do Meio Ambiente já havia suspendido os efeitos da lei sobre a região da Serrinha do Paranoá, fixando multa por descumprimento. O MPDFT agora requer a suspensão imediata de todos os artigos que tratam da transferência de bens.
A ação pede que o Tribunal declare a inconstitucionalidade da norma com efeitos retroativos, visto que a permanência da lei é vista como um risco iminente ao patrimônio e ao equilíbrio fiscal do Distrito Federal.
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Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.