MP e TCU investigam R$ 80 milhões em campanha contra escala 6×1

MP e TCU investigam gastos de R$ 80 milhões em campanha contra escala 6×1, gerando questionamentos sobre a legalidade e finalidade da comunicação estatal

| Reprodução/Instagram @gestaogovbr – 18.jun.2026

Em 8 de junho de 2026, o Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) protocolou uma representação solicitando a abertura de uma investigação detalhada sobre o uso de R$ 80 milhões em recursos públicos. O montante foi destinado à campanha de comunicação que defende o fim da escala de trabalho 6 por 1.

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A representação, formalizada pelo subprocurador Lucas Furtado, exige que o órgão de controle analise minuciosamente a legalidade, a legitimidade, a economicidade e a finalidade de todos os gastos realizados.

O escopo da apuração abrange desde os contratos firmados até os valores investidos, passando pelos meios de veiculação e o conteúdo específico das peças publicitárias que foram veiculadas pela administração pública. O documento ministerial questiona a natureza da comunicação, argumentando que a publicidade estatal, neste contexto específico, não cumpriu uma função meramente informativa legítima.

Análise da Finalidade e Natureza da Publicidade Estatal

Segundo o material protocolado, a campanha em questão se aproximou mais de uma estratégia de promoção política de uma pauta específica, mesmo antes que essa pauta tivesse sua consolidação normativa. O Ministério Público ressalta que a comunicação governamental deve ter um propósito informativo claro e transparente.

Lucas Furtado detalha que a análise dos gastos não pode se limitar apenas aos números. É necessário verificar se o investimento em comunicação pública está alinhado com os princípios da boa gestão e se os recursos estão sendo aplicados de maneira economicamente viável para o interesse público.

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O subprocurador também fez uma comparação direta, apontando que a campanha do governo sobre a alteração da jornada de trabalho apresenta semelhanças com a propaganda utilizada durante o período do chamado “pacote anticrime”, ocorrido em 2019, durante o governo anterior.

Essa comparação é fundamental para o argumento central do MP: a manutenção de padrões de fiscalização consistentes e imparciais.

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Coerência Institucional e Critérios de Fiscalização do TCU

O ponto mais crítico levantado pela representação é a necessidade de o TCU manter a coerência institucional em suas ações. Para o MP, a fiscalização não pode ser influenciada pelo conteúdo político da mensagem ou pelo governo que está no poder no momento da apuração.

O documento enfatiza que a coerência exige que os mesmos critérios de análise sejam aplicados a situações análogas, independentemente da causa política que está sendo promovida pela administração pública. A ausência de uma atuação fiscalizatória semelhante em casos passados, na visão do MP, pode comprometer a credibilidade e os critérios empregados pela Corte de Contas.

O Ministério Público, ao levantar essas questões, busca garantir que a fiscalização dos gastos públicos seja pautada estritamente pelo direito e pela boa governança, e não por considerações ideológicas ou políticas momentâneas.

Em relação ao pedido, o portal Poder360 buscou um posicionamento oficial da assessoria do Palácio do Planalto por meio de e-mail, mas não obteve resposta até a publicação da notícia.

A representação do MP junto ao TCU, portanto, não visa apenas auditar um gasto específico de R$ 80 milhões, mas sim reforçar o princípio da isonomia e da continuidade na fiscalização dos recursos públicos federais.

A expectativa é que o TCU analise o caso sob a ótica estrita da legalidade e da função pública da comunicação estatal.