Movimentos Sociais e a Inteligência Artificial: Novo Campo de Batalha?

Inteligência Artificial e o Futuro dos Movimentos Sociais
A crescente influência da inteligência artificial (IA) apresenta desafios significativos à soberania digital, impactando diretamente o trabalho de movimentos populares e feministas que buscam desenvolver tecnologias alinhadas com valores como a vida, a democracia e a defesa dos territórios.
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Tica Morena, militante da Marcha Mundial de Mulheres, ressalta a importância de compreender o uso da informação, que abrange desde tarefas simples até análises complexas. “Precisamos conectar nosso dia a dia com a compreensão de como essa tecnologia funciona”, explica Morena.
Desafios e Oportunidades
Morena destaca que a IA já está presente em diversas estruturas urbanas, como sistemas de reconhecimento facial utilizados pela segurança pública. Ela acredita que o principal desafio é utilizar a IA a favor de pautas progressistas. Uma das estratégias apontadas é o uso de sistemas de código aberto, como os difundidos na China, que permitem que qualquer pessoa contribua para o desenvolvimento de tecnologias.
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O projeto Iaraa, que visa fortalecer a divulgação da agroecologia, exemplifica essa abordagem. A plataforma utiliza um modelo de inteligência artificial para gerar linguagem e responder a perguntas, mas o processo envolve a organização de grandes bases de dados agroecológicos – uma questão política fundamental.
A Iaraa também está aprendendo a trabalhar com essas bases de dados, buscando entender como a IA funciona na prática.
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Formação Popular e Infraestrutura
Tica Morena enfatiza a necessidade de promover a formação popular, utilizando as ferramentas tecnológicas como um mecanismo de emancipação e valorização da mulher dentro dos sistemas da agroecologia. A experiência da Iaraa demonstra como a IA pode ser utilizada para gerar linguagem mais próxima da educação popular, considerando as mulheres como sujeitos centrais da agroecologia.
A organização acredita que o desenvolvimento de infraestrutura própria, com acesso a poder computacional e data centers, é crucial. Isso permite uma conexão entre o desenvolvimento da IA e a agenda política, evitando que a tecnologia seja utilizada apenas para fins comerciais ou governamentais.
A equipe da Iaraa reconhece que a disponibilidade de dados e a concentração de poder computacional estão, atualmente, sob o controle de grandes empresas (big techs) e do governo dos Estados Unidos.
Conclusão: Uma Estratégia para o Brasil
Morena defende que a inteligência artificial deve ser colocada no centro da estratégia do Brasil, buscando desenvolver soluções que atendam às necessidades dos movimentos sociais e contribuam para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A organização da Iaraa busca, através da experimentação e do desenvolvimento de software livre, criar uma infraestrutura que possa ser utilizada por toda a comunidade.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



