A morte de Valentino Garavani, aos 93 anos, em Roma, marca o fim de uma era na alta-costura. O legado do estilista desafia o futuro da moda.
Valentino Garavani faleceu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em Roma, na Itália. Sua morte representa a despedida de uma geração que elevou a “Bota” como um importante berço de talentos históricos da alta-costura, incluindo nomes como Armani, Cavalli e Cerutti.
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Reconhecido como um ícone de elegância e glamour, o estilista fundou a “Maison Valentino” em 1960, que se destacou nas passarelas internacionais com criações vestidas por grandes estrelas do cinema, membros da realeza e influenciadores da moda.
Com a série de homenagens e a consternação global pela morte do “último imperador” da alta-costura, surge a dúvida sobre o futuro da marca. Embora a grife enfrente incertezas em seus rumos comerciais e criativos, Garavani estava oficialmente afastado da empresa desde 2008, após 45 anos à frente da marca que ele mesmo criou.
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Atualmente, a direção criativa da grife está sob responsabilidade de um novo diretor, que assumiu em março de 2024. Sua gestão busca incorporar elementos do romantismo histórico que consagrou a marca nas décadas de 1960 e 1970, adaptando-os às influências contemporâneas.
Para Tamara Lorenzoni, especialista em marcas de luxo, o legado de Garavani impõe desafios às casas de moda atuais. Segundo ela, o setor deve equilibrar a operação como um entretenimento cultural dinâmico e um sistema de valor simbólico duradouro.
Com a partida de Valentino Garavani, o mundo da moda perde um de seus maiores arquitetos, mas também ganha uma reflexão importante. Em um ambiente saturado de estímulos e imagens, o estilista nos ensina que marcas verdadeiramente desejáveis não são construídas pelo ruído, mas pela capacidade de se manter relevantes ao longo do tempo.
Garavani operava em um modelo de luxo que priorizava a permanência. Seu trabalho nos lembra que, no universo do luxo, o valor não é gerado pela repetição ou pela visibilidade excessiva, mas sim pela coerência estética e simbólica ao longo dos anos.
Em um cenário cada vez mais voltado para resultados imediatos, essa abordagem se torna rara e, por isso, mais valiosa.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.