Impacto da Morte de Ali Khamenei e a Estrutura de Poder no Irã
O ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, juntamente com diversas figuras proeminentes e comandantes da Guarda Revolucionária, foi morto em ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel. Apesar disso, o regime iraniano conseguiu manter sua capacidade de formular estratégias e operar na guerra que teve início no final de fevereiro.
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Desde a revolução de 1979, a República Islâmica estabeleceu uma estrutura de poder complexa, sustentada por um compromisso coletivo com a preservação do sistema teocrático, ao invés de depender de um número restrito de indivíduos.
Atualmente, a hierarquia de poder no Irã se mostra enfraquecida, mas resiliente. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, possui amplos poderes formais, mas não conta com a mesma autoridade automática que seu pai tinha. Ele foi escolhido pela Guarda Revolucionária e, após ser ferido nos ataques, foi descrito na televisão estatal como um “janbaz”, ou “veterano ferido”.
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Mais de três semanas após sua nomeação, sua ausência em fotografias e vídeos, assim como a escassez de declarações, levantam questionamentos sobre sua saúde.
A Influência da Guarda Revolucionária
A Guarda Revolucionária tem visto sua influência aumentar ao longo das décadas, especialmente após a morte de Ali Khamenei e a ascensão de Mojtaba Khamenei. A Guarda, que já estava preparada para resistir a uma possível decapitação de sua liderança, possui uma estrutura organizacional robusta, com substitutos nomeados para cada comandante e unidades capazes de operar de forma independente.
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Apesar da perda de muitos comandantes de alta patente logo no início da guerra, novos líderes experientes têm demonstrado capacidade para gerenciar o esforço de guerra.
Essa resiliência é um reflexo da experiência da Guarda, que já liderou a luta na guerra devastadora contra o Iraque entre 1980 e 1988 e, por muitos anos, esteve envolvida em conflitos no Oriente Médio.
O Papel da Liderança Política no Irã
O sistema político iraniano combina um governo clerical com um presidente eleito e um parlamento, todos desempenhando papéis significativos na administração da República Islâmica. O assassinato de Ali Larijani, conselheiro próximo de Khamenei, foi um golpe para as autoridades, dada sua vasta experiência e habilidade de transitar entre diferentes centros de poder.
Embora outras figuras políticas competentes permaneçam, os possíveis sucessores de Larijani podem ser mais radicais do que aqueles que foram mortos.
A morte de Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, também foi um duro golpe, pois ele teve um papel crucial no fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Figuras Proeminentes que Permanecem no Poder
- Ahmad Vahidi: O novo comandante da Guarda Revolucionária, nomeado após a morte de seus antecessores, é uma figura influente que já atuou em diversas funções, incluindo a repressão de dissidência interna.
- Esmail Qaani: Chefe da Força Quds, ele gerencia as relações do Irã com grupos aliados na região desde 2020, após a morte de Qassem Soleimani.
- Mohammad Baqer Qalibaf: Presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda, ele tem se manifestado frequentemente sobre a posição do Irã na guerra e, segundo fontes, tem negociado com os EUA.
- Aiatolá Gholamhossein Mohseni-Ejei: Chefe do Judiciário e ex-chefe da inteligência, é visto como um linha-dura no governo.
- Masoud Pezeshkian: Embora sua presidência tenha perdido importância, ele é a figura eleita mais relevante do país, com uma voz significativa nas questões políticas.
- Saeed Jalili: Veterano da guerra Irã-Iraque e ex-negociador nuclear, é uma figura influente e linha-dura na política iraniana.
- Aiatolá Alireza Arafi: Integrante do Conselho dos Guardiães, desempenha um papel importante na seleção de candidatos para as eleições.
- Abbas Araqchi: Diplomata que tem conduzido negociações com potências ocidentais e países vizinhos ao longo dos anos.
