Morre o historiador Carlos Guilherme Mota, referência na historiografia brasileira aos 85 anos

Falece o renomado historiador Carlos Guilherme Mota, aos 85 anos, deixando um legado inestimável na historiografia brasileira. Conheça sua trajetória!

Falece o historiador Carlos Guilherme Mota, aos 85 anos

O historiador Carlos Guilherme Mota, de 85 anos, professor emérito da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, faleceu na última quarta-feira, dia 20. Reconhecido como uma figura central na historiografia contemporânea brasileira e pioneiro no estudo das ideologias e mentalidades no Brasil, Mota deixa um legado com mais de 30 livros publicados.

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Contribuição teórica e grandes obras

Influenciado por intelectuais como Emília Viotti da Costa e Fernando Novais — com quem coescreveu a obra “A Independência Política do Brasil” —, Mota se afastou da história meramente factual para explorar as estruturas de poder e o pensamento das elites.

Sua transição para essa abordagem uniu sua vocação à pesquisa histórica. “Na verdade, eu queria ser filósofo, mas tinha pouca aula para dar. Daí eu vi que na também daria para fazer filosofia. E por aí entrei no estudo das mentalidades”, afirmou o historiador em entrevista ao Jornal da USP em 2017.

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A visão crítica de Mota também se estendeu ao papel político da academia; em um depoimento gravado em 2018, ele discutiu a atuação da academia diante dos eventos de 1968, ano da implementação do AI-5.

Pioneirismo e gestão na USP

Formado em história pela USP em 1963, Mota obteve seu mestrado em 1967 e doutorado em história moderna e contemporânea em 1970, tornando-se livre-docente em 1975. Sua liderança institucional se consolidou em 1986, durante a gestão do reitor José Goldemberg, quando Mota liderou o grupo de docentes que fundou o IEA (Instituto de Estudos Avançados) da USP, atuando como seu primeiro diretor até 1988.

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O instituto foi concebido para ser transdisciplinar e aberto a intelectuais externos.

Em abril de 2014, Mota assumiu a direção da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O reconhecimento definitivo pela instituição ocorreu em 2009, quando recebeu o título de Professor Emérito da FFLCH.

Atuação internacional e nacional

A relevância de Carlos Guilherme Mota ultrapassou as fronteiras da USP. No cenário internacional, o historiador acumulou conquistas significativas. Ele fez parte do comitê do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Princeton e, na França, foi diretor de estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.

Em sala de aula, atuou como professor visitante e consultor nas universidades de Londres, Texas e Salamanca.

No Brasil, Mota também contribuiu de forma significativa para outras instituições de ensino, sendo professor titular da Unicamp e docente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O velório ocorreu nesta quinta-feira, dia 21, no Funeral Home, localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo.