Morre Marjane Satrapi, ícone da luta pelos direitos das mulheres, aos 56 anos

Marjane Satrapi, renomada artista e defensora dos direitos das mulheres, faleceu aos 56 anos. Sua obra “Persépolis” deixou um legado inestimável.

(Imagem de reprodução da internet).

Falecimento de Marjane Satrapi aos 56 anos

A artista, escritora e ativista pelos direitos das mulheres, Marjane Satrapi, de origem franco-iraniana, faleceu aos 56 anos. A informação foi divulgada pelo Palácio do Eliseu nesta quinta-feira (4), em um comunicado oficial. A nota destaca que “seu falecimento representa a perda de uma figura importante na cultura francesa e de uma artista profundamente comprometida com a liberdade, cujo trabalho carregava uma mensagem universal e lhe rendeu imenso reconhecimento internacional”.

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Marjane Satrapi ficou amplamente conhecida pela obra autobiográfica “Persépolis”, que retrata sua infância em Teerã, no Irã, durante a Revolução Islâmica. Além dessa obra, outras publicações também refletem seu trabalho e legado na defesa dos direitos das mulheres, especialmente no contexto iraniano.

Obras marcantes de Marjane Satrapi

A seguir, conheça quatro livros significativos da autora que representam sua contribuição à luta pelos direitos das mulheres.

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Série “Persépolis”

A série “Persépolis” é uma história em quadrinhos escrita e ilustrada por Marjane, que narra sua infância e os primeiros anos de vida adulta no Irã, durante e após a Revolução Islâmica. O título faz referência à antiga capital do Império Persa.

O primeiro volume foi publicado em 2000, originalmente em francês, e posteriormente traduzido para diversos idiomas, incluindo português e italiano.

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Na sequência, a autora lançou “Persépolis 2” (2004) e “Persépolis 3” (2006), que abordam sua experiência no exílio em Viena, na Áustria, durante a adolescência, e “Persépolis 4” (2007), que retrata o início de sua vida adulta de volta ao Irã.

A série já vendeu mais de duas milhões de cópias globalmente e foi reconhecida como um dos dez livros mais desafiadores pela Associação Americana de Bibliotecas em 2014. A obra “Persépolis Completo” reúne todos os quatro volumes e foi adaptada para o cinema em 2007, recebendo o Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

“Frango com Ameixas”

Publicada em 2008, “Frango com Ameixas” narra a história do tio de Marjane, Nasser Ali. A trama começa com uma tragédia pessoal: após uma briga com sua esposa, ela destrói seu valioso tar, um instrumento musical persa. Nasser Ali parte em busca de um novo instrumento, enfrentando conflitos com a família e sua própria identidade como artista.

“Bordados”

Em 2010, “Bordados” apresenta as reuniões familiares na casa da avó de Marjane, em Teerã. As refeições em família sempre terminavam com bordados feitos pelas mulheres, enquanto os homens descansavam. O livro também aborda o termo “bordado” como uma referência a cirurgias de reconstituição do hímen, uma escolha pragmática para mulheres que desejam ter vida sexual antes do casamento, mas que enfrentam as imposições conservadoras da cultura iraniana.

“Mulher, vida, liberdade”

Lançado em 2024, “Mulher, vida, liberdade” marca o retorno de Marjane aos quadrinhos após 14 anos. A obra reúne diversos artistas e especialistas para contar a história de Mahsa Amini, uma estudante iraniana de 22 anos que foi detida e espancada até a morte pela polícia religiosa em Teerã, em setembro de 2022.

O livro conta com contribuições de Farid Vahid, Jean-Pierre Perrin e Abbas Milani, além da arte de dezessete quadrinistas de diferentes nacionalidades.

Quem foi Marjane Satrapi?

Marjane Satrapi nasceu em Rasht, Irã, em 1969, mas cresceu em Teerã, onde estudou em um liceu francês. Sua formação foi influenciada pela cultura persa e pelos valores ocidentais. Aos 14 anos, exilou-se em Viena, na Áustria, com sua mãe, conforme narrado em “Persépolis”, e retornou ao Irã para estudar belas-artes.

Posteriormente, estabeleceu-se na França, onde publicou suas obras.

Satrapi era uma crítica contundente do regime iraniano e uma importante apoiadora do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que surgiu após a morte de Mahsa Amini em 2022. A Fundação Narges, uma organização iraniana de defesa dos direitos humanos das mulheres, descreveu-a como “uma defensora destemida do feminismo e dos direitos das mulheres”.