Moro enfrenta desgaste político no Paraná! Decisão de aceitar convite de Flávio Bolsonaro causa revolta e 48 prefeitos abandonam PL. Crise no PSD e futuro incerto do ex-juiz
A decisão de Sergio Moro de aceitar o convite de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República pelo Partido Liberal (PL), provocou uma onda de instabilidade política que ameaça a estabilidade da base do partido no estado do Paraná.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A medida, vista como um sinal de resistência à figura do ex-juiz da Operação Lava Jato, resultou na saída de 48 dos 52 prefeitos paranaenses filiados ao PL.
O movimento de desligamento é impulsionado por setores do PL que defendem a manutenção da aliança com Flávio Bolsonaro, buscando apoio de figuras que não possuem chances de se reeleger. No entanto, essa estratégia pode indicar a busca por um sucessor para o ex-juiz.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Analistas observam que essa situação representa mais uma revés na trajetória política de Moro, intensificando seu isolamento.
Após o escândalo da Lava Jato e a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Moro tenta encontrar um equilíbrio entre a relação oportunista com Flávio Bolsonaro e a desconfiança de lideranças locais que recordam suas rupturas passadas. Essa complexa situação o coloca em uma posição delicada, buscando se manter relevante no cenário político.
Paulo Roberto Souza, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), destaca que a rejeição no interior do estado será o principal desafio de Moro. “O Moro saiu muito mais derrotado que o Flávio Bolsonaro.
Provavelmente, ele terá problemas de palanque no interior do estado, mas esses prefeitos não deixarão de fazer campanha para o Flávio, mesmo dentro do PSD, porque a tendência é que o PSD confirmando que não terá candidato, eles liberem os estados”, afirma o professor.
Souza ressalta que a imagem de Moro está prejudicada pelo estigma da deslealdade, gerando insegurança até mesmo entre seus novos correligionários. “Moro tem alguns problemas muitos significativos na trajetória política dele. Primeiro, a falta de lealdade de ter saído como saiu do governo, abandonando o presidente e jogando suspeitas em sua gestão.
Isso gera desconfiança de um campo político que deve atacá-lo, pois sabe que o próprio Moro pode atacá-los, mesmo estando neste mesmo campo”, analisa.
Moro tem liderado todas as pesquisas eleitorais para o governo do estado, com algumas projeções indicando uma possível vitória ainda em primeiro turno. No entanto, para Paulo Roberto Souza, o futuro da pré-candidatura é incerto. “Não tenha dúvida, a pré-candidatura dele está em cheque, vamos ver agora na evolução das pesquisas.
Precisa de um tempo para avaliar essas movimentações. Ele deixou a campanha ficar competitiva com esse gesto, até porque o Ratinho estará no estado trabalhando por seu sucessor”, avalia.
A percepção de que o projeto político de Moro carece de uma base coletiva sólida é reforçada por Rudá Ricci, cientista político e presidente do Instituto Cultiva. Para Ricci, o racha atual representa uma derrota tanto para Moro quanto para a articulação da família Bolsonaro no estado do Paraná.
“Os dois saem muito derrotados. O problema é compor esse quadro agora. É um estado que acredita na política personalista. Eu acho que ele é (candidato com trajetória de derrotas em São Paulo), um sujeito egocêntrico e histriônico, a tendência é ele desidratar.
Estamos numa eleição de transição para a extrema direita, que deve se aproximar de um perfil à Tarcísio de Freitas, que não tem muita relação com o perfil do Moro”, afirma Ricci.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.