Moradores de SP sofrem infarto aos 58 anos, mais cedo que em outros estados, diz estudo
Levantamento com 4.921 pacientes em 59 unidades aponta estresse crônico e tabagismo entre fatores associados ao risco cardiovascular precoce.
Um estudo do departamento de cardiologia da Rede DOr apontou que os infartos acontecem mais cedo em São Paulo do que em outros estados do país. A média de idade dos pacientes paulistas foi de 58 anos, a menor entre as regiões analisadas.
O levantamento avaliou cerca de 4.921 pessoas atendidas com suspeita de infarto em 59 unidades da rede hospitalar na Bahia, Brasília, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Os estados do Sudeste concentraram 60% dos atendimentos: 1.482 e 1.466, respectivamente.
Rio de Janeiro teve mais casos confirmados
Entre os pacientes analisados, 2.727 receberam diagnóstico de angina instável e 2.194 tiveram IAM. Desse último grupo, 1.455 apresentaram o tipo sem supra ST, associado à obstrução parcial de uma artéria coronária, e 739 tiveram supra ST, quando a artéria coronária está totalmente obstruída.
As redes do Rio de Janeiro registraram o maior número de infartos confirmados, com 764 casos. São Paulo apareceu na sequência, com 572 diagnósticos.
A diferença também foi observada na idade média. Em São Paulo, os pacientes tinham 58 anos, enquanto no Rio de Janeiro a média chegou a 62 anos.
Estresse e tabagismo aparecem entre os fatores de risco
Para a cardiologista Mariana Mancilha, a ocorrência de infartos agudos do miocárdio em pacientes mais jovens residentes de São Paulo pode ter várias causas. O estresse psicossocial está entre as principais razões independentes apontadas pela especialista.
“O estresse crônico é reconhecido como um importante fator de risco cardiovascular, promovendo alterações neuro – hormonais, metabólicas e inflamatórias que aceleram o desenvolvimento da aterosclerose”, afirma Mariana Mancilha.
Leia também
O perfil etário dos pacientes foi mais elevado nos demais estados avaliados. A média de idade foi de 69 anos na Bahia, 67 anos em Brasília, 67,5 anos em Minas Gerais e 70 anos em Pernambuco.
Hábitos saudáveis ajudam a prevenir novos eventos
A prevenção passa por atividade física regular, alimentação equilibrada e abandono do tabagismo. O controle da glicemia e do colesterol também reduz o risco de doenças cardiovasculares.
Para quem já sofreu um infarto, o acompanhamento dos fatores de risco ganha ainda mais importância, pois ajuda a evitar novos eventos. A hipertensão arterial também está entre os principais fatores associados a infarto, AVC e insuficiência cardíaca no mundo.
Medir a pressão regularmente e manter os níveis controlados são medidas que contribuem para a prevenção das doenças cardiovasculares.