Moradores de São Tomé de Paripe vivem apreensão após interdição da praia por contaminação

Moradores de São Tomé de Paripe vivem momentos de apreensão após a interdição da praia. Descubra os impactos ambientais e as preocupações da comunidade!

08/05/2026 18:36

3 min

Moradores de São Tomé de Paripe vivem apreensão após interdição da praia por contaminação
(Imagem de reprodução da internet).

Apreensão em São Tomé de Paripe

A rotina dos moradores da praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio Ferroviário de Salvador, está marcada pela apreensão. Quase dois meses após a interdição de uma das praias mais belas da capital baiana, pescadores, comerciantes e residentes enfrentam o receio dos impactos ambientais e das possíveis consequências para a saúde.

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A CNN Brasil visitou a região para investigar as manchas azuis e amarelas que surgiram na areia e no mar.

A praia permanece interditada desde 11 de março, após laudos do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia) confirmarem a presença de cobre e nitrato. O professor de Ecologia e Biodiversidade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Francisco Kelmo, alerta sobre os riscos associados ao acúmulo dessas substâncias no organismo humano por meio da cadeia alimentar. “Estamos lidando com metais.

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Tudo em excesso faz mal. Dependendo da quantidade consumida ao longo do tempo, isso pode gerar problemas de saúde no futuro”, explicou.

Consequências para a Comunidade

Enquanto os laudos são aguardados, os impactos econômicos da interdição são evidentes. Joilda Borges, que trabalha há anos em uma barraca na praia, é uma das cerca de 62 permissionárias afetadas. “Estamos sem poder levar nosso pão para casa e queremos uma solução com uma praia limpa.

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Muitas pessoas dependem disso para complementar a renda. Peço justiça pelo meio ambiente. Eles não estão levando isso a sério”, desabafou Joilda, que também expressou preocupação com as consequências futuras da contaminação.

Os pescadores da região também estão sendo severamente impactados. Clênio Dias, que sobrevive da pesca, relatou que precisou mudar sua área de atuação. “Tenho que ir mais longe para pescar e mesmo assim enfrento dificuldades para vender, pois as pessoas duvidam da procedência do pescado.

Só eu sei a verdade e ainda corro riscos no mar”, afirmou.

Demandas da Comunidade

Jocival Nascimento, morador da área, tem sido um elo entre a comunidade e os órgãos públicos. Ele afirma que a população está cobrando respostas e que promessas feitas ainda não foram cumpridas. Segundo Jocival, o Ministério Público da Bahia prometeu auxílio equivalente a um salário mínimo para centenas de famílias afetadas, mas até o momento não houve retorno. “O Inema não fornece mais atualizações dos laudos.

A praia está praticamente livre, com apenas uma pequena placa de interdição. A empresa não assume responsabilidade e os especialistas alertam que os produtos são cancerígenos e que a resolução do problema pode levar anos”, criticou.

A praia de São Tomé de Paripe, famosa por suas águas calmas e pela proximidade com a Base Naval de Aratu, enfrenta uma grave situação. A contaminação ocorreu em uma área atrás da empresa Intermarítima, que realiza operações de logística e movimentação portuária.

Apesar de ser classificada como “graneis sólidos”, os materiais movimentados incluem fertilizantes e produtos químicos. O Inema também interditou temporariamente as atividades da empresa após constatações de irregularidades e a relação entre a contaminação e as operações do terminal.

O caso está sob investigação da Polícia Federal.

A defesa da Intermarítima não respondeu aos contatos da reportagem. A CNN Brasil também solicitou um posicionamento ao Inema e ao Ministério Público da Bahia, e aguarda um retorno. O espaço permanece aberto para novas informações.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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