Modelo da Unicamp monitora vida útil de baterias de lítio sem desmontá-las

A nova metodologia da Unicamp promete revolucionar a avaliação de baterias de lítio, aumentando a eficiência e a sustentabilidade no uso de energia renovável.

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Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um modelo computacional que monitora a vida útil de baterias de íon – lítio sem a necessidade de desmontá – las. O estudo, publicado na revista Cell Reports Physical Science, revela que as oscilações naturais de tensão funcionam como um “raio – X” do sistema, fornecendo informações cruciais sobre as reações químicas dentro das baterias.

A nova metodologia promete revolucionar a avaliação dessas baterias, aumentando a eficiência e a sustentabilidade no uso de energia renovável, especialmente em aplicações como armazenamento de eletricidade gerada por fontes intermitentes, como solar e eólica.

Descobertas sobre o funcionamento interno das baterias

Os cientistas descobriram que os íons de lítio entram nas partículas por meio do processo de intercalação, no qual ocupam espaços disponíveis na estrutura do material. Essa dinâmica gera as oscilações elétricas observadas durante os experimentos.

Ao contrário da distribuição uniforme da carga entre todas as partículas, ela se concentra em um subconjunto delas que alterna entre estados pouco carregados e altamente carregados quase simultaneamente.

Para entender melhor esse mecanismo, os pesquisadores aplicaram uma técnica conhecida como modelagem por campo de fase (phase – field). Esse novo método vai além dos modelos tradicionais ao resolver equações que detalham como a concentração de lítio evolui dentro das partículas, utilizando simulações computacionais multidimensionais.

Conforme afirmam os autores do estudo, essa abordagem supera limitações dos métodos anteriores e é capaz de reproduzir os mecanismos físicos responsáveis pelas oscilações observadas nos experimentos. Apesar da possibilidade apresentada pelo modelo ainda precisar ser validada experimentalmente, as perspectivas são animadoras.

Implicações para o futuro das baterias

Caso a relação proposta pelo modelo seja comprovada, pequenas oscilações elétricas poderão ser medidas durante o funcionamento da bateria. Isso permitirá estimar características internas do eletrodo ao longo dos ciclos de carga e descarga. A tecnologia tem potencial para facilitar métodos mais econômicos para avaliar o estado de saúde das baterias sem necessitar de desmontagens ou técnicas complexas de caracterização.

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Essa inovação pode impactar não apenas a eficiência das baterias utilizadas em dispositivos móveis e ferramentas portáteis, mas também contribuir significativamente para o armazenamento energético em larga escala, essencial para equilibrar oferta e demanda nas redes elétricas.