Mladić morre em Haia após meses lutando contra saúde; ONU investiga óbito
Mladíc morre em Haia após luta contra saúde, desencadeando investigação judicial sobre o óbito.
O ex – chefe militar dos sérvios da Bósnia e condenado por crimes de guerra Ratko Mladić morreu nesta quinta – feira (27), em Haia.
Apelidado como o “carniceiro da Bósnia”, Mladic, que tinha 84 anos, faleceu após meses lutando contra problemas graves de saúde no hospital penitenciário localizado nos Países Baixos. A informação foi divulgada pela emissora estatal sérvia RTS, confirmando seu falecimento na cidade holandesa.
Detalhes do Falecimento e Investigação Judicial
A morte recebeu confirmação oficial através do Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais da ONU sediado também em Haia. O órgão judicial acrescentou um detalhe importante: a juíza uruguaia Graciela Gatti Santana determinou uma “investigação minuciosa sobre as circunstâncias” que levaram ao óbito de Mladic.
O ex – general havia morrido dias depois que o pedido feito por sua família junto com o governo sérvio para transferi – lo até um hospital militar situado em Belgrado foi rejeitado pela Justiça das Nações Unidas (ONU). Ele comandara, durante os anos 1992 e 1995, as forças militares serbo – bosniacas na região dos Bálcãs.
Crimes Cometidos Durante a Guerra da Bósnia
Mladić se tornou uma figura controversa: embora tenha sido visto como herói no Exército Sérvia — onde ainda hoje alguns indivíduos assim fazem —, ele é amplamente descrito pelos crimes cometidos contra civis bósnios.
Entre seus atos mais notórios estão o cerco de Sarajevo e um massacre específico em Srebrenica. Foi neste local que ocorreram os eventos trágicos; por lá, cerca de 8 mil homens adolescentes muçulmanos foram executados pelas forças sérvio – bósnias sob seu comando durante julho de 1995.
As imagens da época mostram Mladic distribuindo doces para as crianças antes do transporte das mulheres pela cidade enquanto os grupos masculinos eram conduzidos a uma floresta com destino à execução sumária dos corpos jogados posteriormente em valas comuns.
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Reações Globais: Satisfação vs Desprezo
A notícia gerou reações polarizadas no mundo e na própria Bósnia. Em Sarajevo, Hava Suljic expressou satisfação ao saber que um criminoso estava fora deste mundo; ela declarou aos repórteres da AFP estar “muito feliz”.
“Simbolizará para sempre o genocídio”, afirmou Sehida Abdurahmanovic, representante do grupo “Mães de Srebrenica”. Ela enfatizou a permanência desse nome ligado à memória dos crimes cometidos contra sua comunidade.
Contrapontos Políticos: A Visão Sérvia
Em contraste direto com as vítimas bósnias e internacionais, na entidade sérvio – bósnia houve reações opostas. O ex – líder Milorad Dodik classificou a morte como um “duro golpe”, garantindo que a República Srpska “não esquecerá seu papel”.
Para Dragan Beric, aposentado da capital Banja Luka (República Srpska), o general foi considerado por ele mesmo sendo “o maior homem” do povo serbio. Internacionalmente, António Guterres, secretário geral das Nações Unidas, manifestou solidariedade às famílias sobreviventes pelas atrocidades pelos quais Mladic havia sido condenado.
O Legado Jurídico e Político
Mladić fora acusado pelo TPII em novembro de 1995 após ter perdido seu cargo militar; no entanto, conseguiu fugir dos agentes até que a pressão aumentasse com a queda de Slobodan Milosevic em 2000. A sentença definitiva pela prisão perpétua foi dada por genocídio nos crimes cometidos durante o conflito na Bósnia.
Enquanto isso, mesmo diante do falecimento físico, críticas políticas persistiram: o governo da Rússia criticou publicamente o Tribunal Penal Internacional para a ex – Iugoslávia (TPII), alegando um “desprezo pelas normas básicas de imparcialidade e tratamento justo”.