Ministros de diversos países da América Latina e do Caribe se reuniram na quinta-feira, 5, para discutir os desafios e as melhores estratégias para transformar os sistemas agroalimentares da região. O objetivo central era o combate à fome. O encontro, que contou com a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), ocorreu no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF).
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O relatório apresentado aos líderes dos países destacou as tendências de longo prazo e os obstáculos persistentes enfrentados pela região. O documento apontou que os países da América Latina e Caribe passaram por variações nos fluxos de comércio internacional de alimentos, influenciadas diretamente pelos preços dos produtos básicos.
Essa instabilidade gerou um aumento da dívida externa, intensificando as relações econômicas entre os países.
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Desafios Estruturais nos Sistemas Agroalimentares
A análise da FAO revelou uma dependência da demanda global por produtos agrícolas brutos e, ao mesmo tempo, a necessidade de importar bens que exigem tecnologias avançadas, como máquinas agrícolas, fertilizantes e pesticidas. O subdiretor-geral da FAO, Rene Orellana, enfatizou os riscos e incertezas presentes na região, incluindo pressões climáticas, instabilidade econômica, tensões geopolíticas, flutuações no comércio e a dificuldade de acesso a uma alimentação saudável.
Caminhos para o Futuro da Região
O debate explorou quatro cenários possíveis para o futuro da região. Um dos cenários, o mais pessimista, denominado “Corrida para o Abismo”, alertava para o risco de crises sociais devido à falta de reformas estruturais e à queda nos preços das commodities.
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O cenário mais otimista, “Sustentabilidade”, propunha uma mudança de paradigma, com sistemas agroalimentares resilientes e justos, que priorizassem o bem-estar das pessoas.
Importância da Agricultura e da Inclusão
O ministro da Agricultura de Bahamas, Jomo Campbell, ressaltou a importância da agricultura como um caminho para a dignidade e a prosperidade, defendendo a proteção dos recursos naturais para garantir uma vida saudável. Ele também destacou as barreiras enfrentadas por mulheres e jovens no campo, apontando para o “envelhecimento rural” e a dificuldade de acesso à terra e ao crédito para as mulheres, que são as mais afetadas pela insegurança alimentar.
Recomendações da FAO
A análise prospectiva da FAO identificou quatro elementos-chave para transformar a realidade do campo e da mesa: a governança institucional, a conscientização dos consumidores, a democratização do acesso às tecnologias e, fundamentalmente, a distribuição justa da renda e da riqueza.
A organização propôs medidas como a melhoria da gestão dos recursos naturais e o apoio a práticas agrícolas sustentáveis.
