Ministro Moraes questiona ida de Filipe Martins aos EUA. Declaração surge em julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe em 16/12/2025. Controvérsia sobre a possível entrada do ex-assessor de Bolsonaro, Filipe Martins, nos EUA é levantada por Moraes. A PF investiga possível fraude e simulação de entrada
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, trouxe à tona uma “celeuma” em torno da possível ida do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, aos Estados Unidos. A declaração foi feita durante o julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado, em 16 de dezembro de 2025.
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Inicialmente, documentos das autoridades americanas indicavam que Martins havia realmente entrado nos Estados Unidos. No entanto, surgiram documentos que sugeriam uma identificação equivocada, como se ele tivesse apenas passado pela alfândega. Essa contradição gerou a determinação de Moraes de converter a prisão preventiva em medidas cautelares.
A prisão de Martins, iniciada em fevereiro de 2024, foi motivada por suspeitas de que ele poderia fugir do Brasil, especialmente após o planejamento de uma possível viagem aos EUA em 30 de dezembro de 2022. A defesa do ex-assessor apresentou diversas evidências que contradiziam essa acusação, incluindo comprovantes de viagem para o Paraná no mesmo dia.
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Ao longo do processo, outras provas confirmaram que Martins não havia ido aos Estados Unidos. Apesar disso, Moraes manteve o ex-assessor preso por cerca de seis meses, estabelecendo medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de deixar a comarca, entrega de passaporte e cancelamento de documentos de porte de arma.
Em 10 de outubro de 2025, o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos confirmou que Martins não havia entrado nos EUA na data indicada pela Polícia Federal. Essa informação, que veio à tona após questionamentos do ministro, levou Moraes a solicitar à PF que respondesse em cinco dias se o ex-assessor de Bolsonaro realmente havia ido aos Estados Unidos no final de 2022.
Na decisão de 16 de outubro, Moraes escreveu: “Durante a instrução processual da presente ação penal e em sede de alegações finais, a defesa de Filipe Garcia Martins Pereira apresentou documentos de modo a indicar que o réu Filipe Garcia Martins Pereira não teria entrado nos Estados Unidos da América em 30/12/2022”.
O ministro, no entanto, não explicou por que desconsiderou informações anteriores que haviam sido publicadas pela mídia, incluindo pelo Poder360.
Conforme o Poder360, os investigadores citam dados desatualizados do sistema norte-americano de registro de entrada no país. A defesa de Martins demonstrou que não seria possível confirmar a entrada em dezembro de 2022, uma vez que o ex-assessor não tinha o passaporte.
Um boletim de ocorrência da Polícia Civil do Distrito Federal de março de 2021 demonstra que Martins havia perdido o documento em 26 de fevereiro.
O delegado Fabio Shor, da Polícia Civil, pediu ao STF a abertura de um novo inquérito em 20 de outubro para investigar a suposta ida de Filipe Martins. A Polícia Federal sugere que Martins teria simulado uma entrada falsa no país norte-americano com o objetivo de descredibilizar provas das investigações do STF.
Segundo a PF, a inserção de dados falsos no sistema de imigração pode ter sido uma estratégia da “organização criminosa” para atrapalhar as investigações conduzidas pela corporação. A entidade afirma ainda que “a metodologia observada ostenta semelhança com a atuação da ‘milícia digital’”, investigada pelo Supremo.
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Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.